Do plástico de luxo aos palcos de jazz: por que os jelly shoes lideram o novo ranking global de consumo

Os calçados de plástico translúcido, popularmente chamados de jelly shoes, alcançaram o topo do desejo dos consumidores no segundo trimestre de 2026, segundo o mais recente Lyst Index, que monitora em tempo real o volume de buscas e o engajamento em plataformas digitais de moda. O levantamento posiciona modelos da SKIMS e da Chloé entre os itens mais procurados, demonstrando como materiais sintéticos de aparência gelatinosa ressurgem como símbolo de inovação estética e reposicionamento de mercado.

A escalada dos jelly shoes: números, marcas e datas-chave

Publicado em 5 de agosto de 2026, o relatório trimestral do Lyst Index lista os 10 produtos de moda com maior crescimento de interesse global. Dentro desse grupo, dois pares se destacam: o Jelly Shoe da SKIMS, lançado originalmente em abril de 2025 ao preço de US$ 58 (aproximadamente R$ 296), e o Jelly Mule da Chloé, apresentado na coleção primavera-verão 2026 e comercializado por US$ 670 (cerca de R$ 3 419).
O relatório sinaliza que a SKIMS, criada por Kim Kardashian, relançou o modelo em março de 2026 após vendas acima da expectativa inicial. Já a Chloé, sob a direção criativa de Chemena Kamali, figurou em 5.º lugar entre os produtos mais pesquisados do trimestre, reforçando a força de grifes de luxo no resgate de tendências nostálgicas.

Contexto histórico: do playground infantil aos corredores do luxo

Os jelly shoes surgiram comercialmente na década de 1980, impulsionados por fabricantes brasileiros como a Melissa, pioneira na aplicação de PVC colorido em formas flexíveis. Embora tenham migrado para o segmento infantil na virada dos anos 2000, o material manteve presença constante em bolsas e chinelos.
Em 2024, a busca por transparências ganhou tração em coleções de ready-to-wear, preparando terreno para o retorno do plástico translúcido nos pés. O movimento foi potencializado por métricas de sustentabilidade: o PVC moderno passou a incorporar índices de reciclabilidade acima de 30 %, argumento usado por labels para justificar o uso de polímeros em coleções de preço elevado.

Além do PVC: jazz shoes e loafers minimalistas ampliam a tendência de flexibilidade

Paralelamente ao fenômeno dos sapatos de plástico, o mercado observa o renascimento dos jazz shoes, calçados tradicionalmente associados a dançarinos profissionais. O modelo Zizi da Repetto, lançado nos anos 1970, serviu de referência para a Celine sob comando de Michael Rider na coleção Resort 2026. Poucos meses depois, a Bottega Veneta apresentou sua própria interpretação na Semana de Moda de Milão, confirmando a difusão do perfil baixo e da sola ultraflexível.
Na categoria dos clássicos, o loafer sofre transformação semelhante. Marcas como a italiana Ilio Smeraldo anunciaram linhas masculinas com silhuetas mais leves — casos do Saint Germain e do Rivoli — para capturar consumidores que migraram temporariamente para os tênis, mas agora buscam modelos “arrumados” sem abrir mão do conforto.

Métricas de consumo: como o Lyst Index consolida a virada estética

O Lyst Index compila dados de 200 milhões de usuários provenientes de 17 mil lojas online. Entre abril e junho de 2026, o relatório registrou um aumento de 46 % em pesquisas por termos relacionados a “jelly”, “PVC shoe” e “translucent sandal”.
No segmento de performance financeira, analistas do setor de luxo projetam que as vendas de calçados em materiais sintéticos premium movimentem US$ 1,3 bilhão até o final de 2027, crescimento composto de 9,2 % ao ano, impulsionado por coleções cápsula e colaborações com celebridades.

Conclusão técnica

Os dados consolidados do Lyst Index e os lançamentos de SKIMS, Chloé, Celine e Bottega Veneta indicam uma convergência de fatores — nostalgia, inovação de materiais e estratégias de marketing digital — que reposiciona os jelly shoes como vetor principal de receita e visibilidade para 2026. Paralelamente, a ascensão dos jazz shoes e a reinvenção dos loafers reforçam o apetite do consumidor por calçados flexíveis e minimalistas. A expectativa, segundo projeções de mercado, é que o ciclo de interesse permaneça ativo ao menos até o primeiro semestre de 2027, quando novas colaborações devem ampliar a oferta e diversificar faixas de preço.