Balneário Camboriú — O empresário Jody Jefferson Buatim, tutor de um pitbull envolvido em um confronto ocorrido em 21 de abril na Avenida Atlântica, afirmou que apenas se defendeu após receber uma “encoxada intencional” do estudante Gabriel Henrique Martins, que acusa o homem de agressão física, mordidas de cachorro e ofensas homofóbicas.
Versão do acusado: reação a suposta provocação física
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Jody Jefferson Buatim relatou que caminhava com fones de ouvido quando sentiu o que classificou como contato deliberado da região pélvica de um desconhecido em suas costas. Ao se virar, teria identificado Gabriel Martins e outro homem rindo da situação.
Segundo o empresário, a sequência foi a seguinte:
- 21 de abril, cerca de 21h — Passeio com o cão pela orla pouco movimentada.
- Contato físico que ele interpreta como “encoxada” intencional.
- Ato contínuo, contenção do jovem e acionamento da Polícia Militar por telefone.
- Suposta reação de Gabriel, que, de acordo com Jody, passou a golpear o tutor e o animal com uma bolsa.
“A primeira coisa que fiz foi chamar a polícia, imaginando que alguém tivesse presenciado, mas poucos transeuntes estavam próximos”, declarou. Ele acrescenta que tentou explicar o motivo da contenção a clientes de um restaurante, sem sucesso.
Relato da vítima: agressão, mordida e ofensas homofóbicas
Em publicações no Instagram, Gabriel Henrique Martins, 27 anos, sustenta que tudo começou com um esbarrão acidental enquanto caminhava pela orla. Ele afirma que:
- Foi empurrado ao chão, imobilizado e insultado com expressões homofóbicas.
- Sofreu mordidas do pitbull e múltiplas escoriações nos braços e nas pernas.
- Testemunhas em um bar próximo teriam testemunhado a agressão.
- Câmeras de segurança instaladas na região podem ter registrado o incidente.
Imagens de celular divulgadas pelo estudante mostram hematomas e curativos. Ele afirma ter procurado atendimento médico no mesmo dia, registrando boletim de ocorrência na delegacia da cidade.
Disputas legais, perícias e coleta de provas
Após a repercussão, Jody Jefferson Buatim contratou o advogado Jaison Silva, que protocolou queixa-crime no Foro da Comarca de Balneário Camboriú e notícia-crime junto ao Ministério Público de Santa Catarina. A peça acusatória sustenta que Gabriel “alterou substancialmente a realidade fática” e atribuiu crimes inexistentes ao tutor do animal.
Imagem: pessoal
No lado oposto, a defesa do estudante requisitou cópias das gravações de segurança existentes em prédios e quiosques da Avenida Atlântica, além de depoimentos de funcionários de um restaurante que teriam presenciado a cena. O caso é analisado por:
- 1ª Delegacia de Polícia Civil de Balneário Camboriú — responsável por inquéritos relativos a crimes de lesão corporal e preconceito.
- Promotoria de Justiça Criminal — que avaliará eventual enquadramento por homofobia, previsto na Lei nº 7.716/1989, conforme decisão do STF.
- Vigilância Sanitária Municipal — consultada para atestar a condição vacinal do pitbull e verificar possíveis medidas administrativas.
Entre os elementos já anexados aos autos constam laudos fotográficos das lesões, prontuários de atendimento, vídeos amadores de frequentadores da orla e prints de redes sociais. A Polícia Civil aguarda a perícia veterinária para avaliar eventuais ferimentos no cão, citados pelo tutor como resultado de golpes de bolsa.
Conclusão técnica e próximos passos
A investigação segue em curso com o objetivo de definir se houve injúria motivada por orientação sexual, lesão corporal ou legítima defesa. Delegados pretendem:
- Ouv ir formalmente todas as testemunhas listadas até meados de junho.
- Solicitar imagens de ao menos cinco câmeras privadas localizadas entre as ruas 2300 e 2400 da Avenida Atlântica.
- Concluir laudo pericial das lesões em prazo estimado de 10 dias úteis após exame de corpo de delito complementar.
Encerrada essa etapa, o Ministério Público decidirá se oferece denúncia, propõe acordo de não persecução penal ou arquiva o procedimento. Enquanto isso, as partes mantêm versões conflitantes sobre o contato inicial e a motivação do conflito, aguardando o desfecho judicial para confirmação das responsabilidades.




