Feminicídio em Iporã do Oeste: mulher de 56 anos é encontrada morta e companheiro comete suicídio, aponta investigação

Uma mulher de 56 anos foi localizada sem vida dentro de sua residência na manhã de 17 de dezembro, apresentando sinais evidentes de violência; no mesmo imóvel, o companheiro de 61 anos também foi encontrado morto, e as autoridades trabalham com a hipótese de que ele tenha praticado o homicídio antes de se suicidar.

Dinâmica preliminar do crime

Equipes da Polícia Civil e da Polícia Militar foram acionadas por volta das 7h, dirigindo-se à Linha Piraju, zona rural de Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense. No interior do imóvel, os agentes identificaram as vítimas como Joseli Scherer, 56 anos, e Valmir Scherer, 61 anos. Segundo relato de vizinhos, não foram ouvidos disparos ou pedidos de socorro durante a madrugada. A mulher apresentava marcas compatíveis com agressão física, enquanto o corpo do homem foi encontrado suspenso, indicando suicídio por enforcamento.

Objetos considerados relevantes — entre eles um possível instrumento de agressão e telefones celulares — foram recolhidos para exame pericial. De acordo com o delegado responsável, a disposição dos corpos sugere que o feminicídio ocorreu primeiro, seguido do ato suicida em um intervalo ainda sob apuração.

Procedimentos periciais e investigação em curso

A Polícia Científica isolou a área para coleta de vestígios. Exames de necropsia deverão determinar causa e horário exatos das mortes, além de aferir se a vítima sofreu outras formas de violência como estrangulamento ou lesões por objeto contundente. Resultados laboratoriais, incluindo toxicologia, deverão ser concluídos em até 10 dias úteis.

Investigadores analisam câmeras de propriedade vizinhas e acessam registros das operadoras de telefonia para reconstituir a movimentação de ambos na véspera do crime. Depoimentos de familiares indicarão se havia histórico de ameaças ou episódios prévios de agressão. Ainda não há confirmação oficial de boletins de ocorrência anteriores envolvendo o casal.

Panorama do feminicídio em Santa Catarina

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2023 apontam 74 vítimas de feminicídio no estado no ano anterior, representando alta de 12% em relação a 2021. O Extremo-Oeste concentrou 9 desses casos, segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública. Especialistas associam o avanço à combinação de posse de armas em áreas rurais, distanciamento dos centros de atendimento e baixa taxa de denúncias formais.

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Imagem: Reprodução

Em nível nacional, o índice de feminicídios manteve-se em torno de 1,4 para cada 100 mil mulheres em 2022. Conforme a Lei 13.104/2015, o assassinato de mulher por razões da condição de gênero é considerado crime hediondo, com pena de 12 a 30 anos, agravada em circunstâncias como gravidez ou presença de descendentes.

Canais de denúncia e políticas de proteção

Autoridades reiteram que qualquer indício de violência doméstica deve ser comunicado imediatamente. Em Santa Catarina, é possível registrar ocorrência pela Delegacia de Polícia Virtual da Mulher ou pelo WhatsApp (48) 98844-0011. A Polícia Militar disponibiliza o aplicativo PMSC Cidadão, e chamadas telefônicas podem ser feitas aos números 190 (emergência), 181 (denúncia anônima) e 180 (Central de Atendimento à Mulher). O estado mantém ainda 34 Delegacias de Proteção à Mulher, com plantões em regime de 24 horas nas principais regiões.

Programas como o Monitoramento Eletrônico de Agressores e o Botão do Pânico já beneficiaram mais de 1.500 vítimas catarinenses, segundo a Secretaria de Assistência Social. Entretanto, relatórios da ONU Mulheres destacam que menos de 40% das vítimas formalizam queixa, reforçando a importância da notificação por terceiros.

Conclusão Técnica

Com a conclusão dos laudos periciais e a oitiva de testemunhas, a Polícia Civil deverá elaborar relatório final indicando a tipificação penal de feminicídio seguido de suicídio. Caso confirmada a ausência de participação de terceiros, o inquérito será remetido ao Ministério Público para arquivamento das responsabilidades criminais, restando eventuais demandas cíveis ou previdenciárias aos herdeiros. A divulgação dos resultados laboratoriais e das imagens coletadas poderá esclarecer a cronologia exata dos acontecimentos, contribuindo para estatísticas oficiais e formulação de políticas públicas de prevenção à violência contra a mulher.