A Federação das Indústrias de Santa Catarina oficializou um aporte de R$ 65 milhões para erguer a nova Escola SESI de Referência em São José, prevista para abrir as portas em fevereiro de 2028; a unidade deverá atender até 1.286 alunos com foco em tecnologia, robótica e ciências, consolidando a estratégia da indústria de formar mão de obra qualificada desde a educação básica.
Investimento robusto e cronograma de execução
O anúncio do presidente da FIESC, Gilberto Seleme, ocorreu durante participação no podcast A Vida Segue, apresentado pelo jornalista Paulo Alceu. Segundo o dirigente, o montante de R$ 65 milhões cobrirá projeto arquitetônico, aquisição de equipamentos de ponta e capacitação docente. A etapa de planejamento já está em andamento, e o início das obras está marcado para o primeiro semestre de 2025. As matrículas, por sua vez, deverão ser abertas no final de 2027, alinhadas ao calendário escolar do estado.
Seleme sublinhou que a iniciativa não se restringe à construção física: envolve também parcerias tecnológicas com empresas de automação e centros de pesquisa para atualização contínua dos laboratórios. “Precisamos preparar para a vida e para a indústria desde cedo”, resumiu o executivo, reforçando a meta de suprir a crescente demanda por profissionais capacitados na cadeia produtiva catarinense.
Metodologia orientada à tecnologia e indústria 4.0
A futura escola adotará currículo baseado em competências, com ênfase em programação, eletrônica aplicada e sistemas ciberfísicos. Entre os diferenciais, destacam-se:
- Ambientes maker equipados com impressoras 3D e ferramentas de prototipagem rápida.
- Laboratórios de robótica educacional voltados a competições estaduais e nacionais.
- Módulos de projetos integradores que conectam disciplinas de ciências, matemática e linguagens aos desafios reais da indústria.
Segundo a FIESC, a proposta pedagógica seguirá marcos regulatórios do Ministério da Educação e do Conselho Estadual de Educação, combinando carga horária regular com itinerários formativos técnicos. Com isso, o estudante conclui o ensino médio apto a ingressar diretamente no mercado ou prosseguir em cursos superiores de engenharia, ciência da computação e áreas correlatas.
Efeitos esperados no mercado de trabalho catarinense
Dados da própria FIESC indicam que o setor industrial de Santa Catarina cresce acima da média nacional, puxado pelos segmentos metalmecânico, têxtil e de alimentos. A federação estima um aumento de 22 % na demanda por profissionais com formação técnica até 2030. A nova escola pretende responder a parte desse déficit, formando turmas anuais de aproximadamente 430 estudantes.
Especialistas em economia regional apontam que cada vaga criada em cursos técnicos de alto nível gera até 1,6 posto de trabalho indireto, considerando fornecedores, serviços de apoio e inovação. Assim, o impacto potencial do empreendimento pode alcançar mais de 2 mil oportunidades na região da Grande Florianópolis ao longo da próxima década.
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Automação, Inteligência Artificial e qualificação continuada
No podcast, o jornalista questionou Seleme sobre o avanço da Inteligência Artificial na linha de produção. O dirigente explicou que a federação mantém programas de capacitação para empresários e ex-presidentes a fim de acelerar a adoção responsável dessas tecnologias. Ele argumenta que, embora a automação eleve a produtividade e reduza operações repetitivas, novos postos emergem em áreas de supervisão, manutenção avançada e logística.
Seleme ressaltou que a estratégia industrial passa por mesclar eficiência tecnológica e qualificação humana: “A indústria moderniza, mas depende do talento para operar, interpretar dados e inovar”. Os cursos da futura Escola SESI, portanto, incluem módulos de programação de controladores lógicos, análise de dados industriais e ética digital, preparando os estudantes para cenários em constante transformação.
Conclusão técnica
Com aporte financeiro expressivo, cronograma definido e foco em competências demandadas pela indústria 4.0, a Escola SESI de Referência em São José se posiciona como vetor de desenvolvimento regional. A entrega prevista para 2028 coincide com projeções de escassez de mão de obra especializada no estado, o que reforça a relevância estratégica do projeto. Nos próximos anos, a atenção se volta para a execução das obras, a homologação dos cursos junto aos órgãos reguladores e a formalização de parcerias tecnológicas que sustentarão a atualização constante do currículo.




