O Magazine Luiza registrou prejuízo líquido de R$ 55,2 milhões no primeiro trimestre de 2026, revertendo o lucro de R$ 12,8 milhões apurado um ano antes. A deterioração, divulgada em 7 de maio, superou a projeção de perda de R$ 29 milhões compilada pela Bloomberg e foi atribuída, principalmente, ao custo financeiro ainda pressionado pela Selic alta, aumento das provisões de crédito e recuo nas vendas on-line.
Selic limita resultado e eleva despesa financeira
Com a taxa básica de juros mantida em patamar elevado, as despesas financeiras do grupo alcançaram R$ 568,7 milhões, crescimento de 16,5% sobre o 1T25. Esse movimento reduziu a capacidade de geração de caixa e contribuiu para um fluxo de caixa operacional negativo de R$ 1,3 bilhão. Parte da pressão decorre do financiamento de estoques mais robustos, estratégia que antecipa a demanda esperada para a Copa do Mundo de Futebol.
Na linha ajustada — que exclui efeitos não recorrentes — o prejuízo somou R$ 33,9 milhões, também revertendo o lucro de R$ 11,2 milhões visto no mesmo intervalo de 2025. Os itens não recorrentes, entre eles provisões tributárias e despesas extraordinárias, adicionaram R$ 21,3 milhões ao resultado negativo.
Margem operacional recua e vendas on-line perdem fôlego
O Ebitda consolidado caiu 10% ano a ano, para R$ 685,4 milhões, ficando abaixo do consenso de R$ 742 milhões. A margem Ebitda contraiu 0,7 ponto percentual, encerrando o período em 7,4% — inferior aos 7,8% estimados pelos analistas.
A receita líquida totalizou R$ 9,2 bilhões, baixa de 2% em comparação com o 1T25. Nas lojas físicas, as vendas avançaram 6,9%, atingindo R$ 5,2 bilhões, sustentadas por eletrodomésticos de maior tíquete. No entanto, o e-commerce recuou 11%, para R$ 10 bilhões, e passou a responder por 65,7% do faturamento total — redução de quatro pontos percentuais.
No canal on-line, o modelo 1P (vendas diretas) movimentou R$ 6,1 bilhões, retração de 8,8% motivada pela decisão de reduzir promoções para proteger margem. Já o marketplace 3P registrou queda de 14,3%, para R$ 3,9 bilhões, reflexo de curadoria mais rígida de vendedores e sortimento mais qualificado. A estratégia visa posicionar a plataforma como brand place, mesmo sob competição intensa de Mercado Livre, Amazon e Shopee.
Imagem: Internet
Crédito cresce, mas inadimplência pressiona provisões
A financeira Luizacred encerrou março com carteira de cartões de R$ 20,4 bilhões distribuídos em 5,6 milhões de plásticos, gerando lucro líquido de R$ 75,1 milhões. A qualidade melhorou, com queda de 0,9 p.p. nos atrasos superiores a 90 dias. Paralelamente, a carteira de Crédito Direto ao Consumidor (CDC) avançou 18% ano a ano, atingindo R$ 1,8 bilhão.
O aprofundamento da oferta de crédito elevou as Provisões para Devedores Duvidosos (PDD), que somaram R$ 149,2 milhões, alta de 47,5% ante 2025. A elevação impactou as despesas operacionais e se soma ao quadro de juros elevados, mantendo o risco de crédito no radar.
No ecossistema de pagamentos, o MagaluPay processou TPV de R$ 10,5 bilhões, crescimento de 4,3% em 12 meses, enquanto a base de contas empresariais alcançou 190 mil sellers. A nova financeira MagaluPay SCFI, por sua vez, encerrou o trimestre com R$ 100 milhões em carteira de crédito e iniciou a emissão de CDBs, diversificando fontes de funding.
Conclusão técnica
Os resultados do 1T26 evidenciam que o Magazine Luiza continua vulnerável ao ambiente de juros altos e à desaceleração do comércio eletrônico. Embora as lojas físicas mantenham crescimento e a vertical de serviços financeiros mostre rentabilidade, o aumento das despesas financeiras e das provisões de crédito comprometeu o lucro. A companhia sinaliza foco em rentabilidade, estoque estratégico para grandes eventos esportivos e expansão seletiva do marketplace. O desempenho dos próximos trimestres dependerá da trajetória da Selic, da eficácia na contenção da inadimplência e da capacidade de reanimar o canal digital sem sacrificar margens.




