Figueirense foi goleado por 3 a 0 pelo Barra em partida válida pela fase classificatória do Campeonato Catarinense, resultado construído após domínio alvinegro no primeiro tempo e colapso tático na etapa final, repetindo a sequência negativa de sofrer três gols nos 45 minutos decisivos pela segunda rodada consecutiva.
Análise do primeiro tempo: domínio alvinegro com chances claras
O confronto iniciou com forte imposição do Barra nos primeiros 10 minutos, explorando as laterais do campo. Pelo flanco esquerdo, Marcelinho superou Léo Maia em lances de velocidade, enquanto Fábio avançou pelo lado direito. A pressão inicial dificultou a saída de bola do Figueirense, que apresentou erros de posicionamento.
A partir do 15º minuto, o cenário mudou. A equipe da casa passou a circular melhor a bola, encontrou espaços entre as linhas adversárias e criou oportunidades relevantes. Dois arremates acertaram a trave — um deles quase resultou em gol contra do Barra — e outros chutes levaram perigo ao goleiro Thiago Passos. Impulsionado pelo vento favorável, o Figueira acelerou pelos lados com Igor Bolt, Léo Maia e Ryan Carlos. O volume ofensivo incluiu diversas cobranças de escanteio que exigiram intervenções da zaga visitante.
Apesar da superioridade refletida em posse de bola superior a 60 % e sete finalizações, o time alvinegro desceu aos vestiários sem alterar o placar, mas saiu aplaudido pelos torcedores presentes no Estádio Orlando Scarpelli.
Segundo tempo: transições rápidas definem o placar
Os 45 minutos finais começaram equilibrados, com o Barra adotando linhas mais baixas e cinco jogadores fixos no campo defensivo. A estratégia de transição rápida foi decisiva. Aos 14 minutos, Gabriel Silva encontrou Fábio nas costas de Ryan Carlos; o cruzamento resultou na finalização livre de Marcelinho, abrindo o marcador.
O Figueirense reagiu com as entradas de Gui Vieira, Zé Carlos e Hyuri, porém faltaram coordenação tática e ocupação eficiente dos espaços. A equipe passou a oferecer contra-ataques ainda mais perigosos.
No 29º minuto, em nova desorganização defensiva, o volante Tetê aproveitou espaço na intermediária e acertou um chute no ângulo: 2 a 0. O terceiro gol surgiu aos 42 minutos, novamente pelo lado esquerdo da defesa alvinegra. Cléo Silva conduziu com liberdade e finalizou sem marcação, decretando a goleada.
Fatores táticos e números da sequência negativa
O revés expôs problemas recorrentes do Figueirense sob o comando de Raul Cabral. Em três partidas da gestão atual, a equipe sofreu sete gols, média de 2,33 por jogo. Nas duas últimas rodadas — contra Anápolis e Barra — o time levou três gols exclusivamente no segundo tempo, evidenciando queda de intensidade e falhas de compactação.
Imagem: Patrick Floriani
Entre as decisões contestadas, destaca-se a escalação de Felipe Santiago no setor esquerdo da zaga, apesar de existirem dois defensores canhotos disponíveis. No meio-campo, a insistência em Arthur Martins limitou a transição ofensiva. Já a substituição de Igor Bolt — responsável por arrasto e profundidade — reduziu a capacidade de infiltração pelos corredores.
No aspecto defensivo, a linha de quatro apresentou desalinhamentos frequentes, permitindo que o Barra completasse 11 finalizações, sendo seis no alvo. O aproveitamento de 50 % nas conclusões explica a vantagem elástica do adversário.
Contexto administrativo e pressões internas
A sequência de derrotas amplia a instabilidade nos bastidores. O cargo do gerente executivo de futebol, Daniel Kaminski, tornou-se alvo de questionamentos, enquanto o treinador necessita de ajustes imediatos. A torcida cobra respostas, sobretudo no sistema defensivo, responsável por parte expressiva dos 14 gols sofridos em oito jogos na temporada.
Nos próximos compromissos, o Figueirense enfrentará rivais diretos na luta por classificação, cenário que exige reação rápida para evitar avanço de concorrentes na tabela.
Conclusão Técnica
O placar de 3 a 0 refletiu eficiência do Barra nas transições e desorganização do Figueirense após o intervalo. A incapacidade de manter consistência física e tática custou pontos preciosos e ampliou a pressão interna. Para as rodadas seguintes, a tendência é de ajustes na zaga, revisão de posicionamento no meio-campo e ênfase em compactação defensiva, medidas consideradas essenciais pelo departamento técnico para estancar a série de gols sofridos e recuperar competitividade.




