Flexibilidade no trabalho divide empresas e funcionários durante a Copa do Mundo, aponta pesquisa

Uma pesquisa da plataforma Infojobs indica que 59,9% dos profissionais brasileiros esperam ajustes na jornada de trabalho nos dias de jogos da seleção durante a Copa do Mundo de 2026; entretanto, 45,9% das empresas manifestam intenção de manter a rotina presencial sem alterações, revelando um impasse entre expectativa dos funcionários e diretrizes corporativas.

Preferências dos profissionais: home office, horários flexíveis ou folga completa

O levantamento, conduzido em junho de 2026 com abrangência nacional, detalha as preferências de colaboradores de diferentes setores:

  • 38,4% solicitam horário flexível nos dias de jogos, sobretudo nas partidas agendadas antes das 18h.
  • 21,5% defendem folga integral, transferindo as horas para outras datas ou descontando do banco de horas.
  • 34,3% aceitam manter o expediente regular, mesmo com a transmissão das partidas.

O recorte demonstra uma preferência majoritária por esquemas que viabilizem o acompanhamento dos jogos sem perda de produtividade. Segundo a gerente da Redarbor Brasil, Hosana Azevedo, a principal demanda não é apenas a liberação, mas a “clareza prévia sobre a política aplicada” — fator determinante para a satisfação interna.

Decisão corporativa: adesão limitada ao home office e comunicação pendente

No polo empresarial, o cenário difere:

  • Apenas 6,6% das companhias planejam liberar home office nos dias de jogos.
  • 45,9% manterão atividade presencial integral, independente do horário da partida.
  • 26,4% ainda não divulgaram oficialmente a política a ser adotada, gerando incerteza em largo contingente de equipes.

Especialistas em gestão de pessoas avaliam que a indefinição pode afetar métricas de engajamento. A percepção de tratamento desigual entre áreas ou turnos costuma elevar índices de absenteísmo e rotatividade, sobretudo em períodos de grande mobilização nacional.

Reflexos na marca empregadora e no clima organizacional

A atratividade corporativa também entra em jogo. O estudo mostra que 70,4% dos trabalhadores enxergam como mais atraentes as empresas que flexibilizam a jornada em eventos de relevância coletiva. Dentro desse grupo, 54,6% classificam essas organizações como “muito mais atrativas”.

Além da imagem externa, há repercussões internas: 73,3% dos entrevistados acreditam que assistir às partidas ou participar de ações temáticas com colegas melhora o ambiente profissional, aproximando equipes e reduzindo tensões cotidianas. A conclusão reforça estudos de clima que correlacionam momentos de celebração conjunta com aumento de cooperação interdepartamental.

Transparência como eixo de gestão de expectativas

Na análise de Hosana Azevedo, o fator crítico não é a escolha entre liberar ou vetar o home office, mas a comunicação tempestiva sobre o padrão definido. Ao tornar as regras explícitas, a empresa minimiza interpretações subjetivas, reduz o risco de pedidos de exceção e preserva a eficiência operacional.

Para assegurar previsibilidade, especialistas recomendam:

  • Divulgação da política de flexibilidade com antecedência mínima de duas semanas antes do primeiro jogo.
  • Padronização de critérios para todas as áreas, evitando tratamento divergente para funções similares.
  • Oferta de opções híbridas, alinhando necessidades do negócio à expectativa do trabalhador.

Conclusão técnica

A pesquisa da Infojobs evidencia uma disparidade objetiva entre as expectativas de 59,9% dos trabalhadores e a postura inflexível de quase metade das empresas. A curto prazo, a Copa do Mundo representa um teste de comunicação e gestão de pessoas. Organizações que aplicarem políticas claras, mesmo sem conceder folga integral, tendem a minimizar impactos sobre engajamento e reputação. Nos próximos meses, a efetividade das medidas adotadas servirá de referência para futuras agendas de eventos nacionais, influenciando práticas de flexibilidade laboral em setores de alta competitividade.