Introdução (Lead)
O Estaleiro TKMS, em Itajaí, promove em 26 de junho o lançamento ao mar da Fragata Cunha Moreira (F-202), terceira unidade do Programa Classe Tamandaré. A embarcação, fruto de um investimento bilionário do Governo Federal e desenvolvida pela parceria Sociedade Águas Azuis, incorpora sistemas de combate capazes de enfrentar, simultaneamente, ameaças aéreas, de superfície e submarinas, reforçando a capacidade operativa da Marinha do Brasil.
Programa de renovação da frota e cronograma de entregas
O Programa Classe Tamandaré prevê a construção de oito fragatas até 2029, todas produzidas em Santa Catarina. Além da Cunha Moreira, o estaleiro trabalha, em estágios distintos, nas células da Jerônimo de Albuquerque (F-201) e da Mariz e Barros (F-203). A primeira da série, a Tamandaré (F-200), foi incorporada à Esquadra em abril de 2024. O contrato, conduzido pela Emgepron com gestão tecnológica da ThyssenKrupp Marine Systems, Embraer Defesa e Segurança e Atech, ganhou fôlego adicional em abril deste ano com a encomenda de mais quatro unidades, consolidando o maior ciclo de modernização naval do país desde os anos 1980.
Capacidade multissensor e sistema de combate integrado
Projetada para operações de longa duração, a Cunha Moreira integra sensores de última geração a um Combat Management System (CMS) desenvolvido pela Atech em parceria com a alemã Atlas Elektronik GmbH. O radar volumétrico Hensoldt TRS-4D Rotator rastreia até 1 000 alvos simultâneos, enquanto o Thales STIR 1.2 direciona fogo antiaéreo de precisão. Na vigilância passiva, o sistema brasileiro MAGE MB Omnisys Defensor MK3 detecta emissões eletromagnéticas adversárias, e as alças optrônicas Safran Paseo XLR oferecem observação diurna e noturna sem assinatura de radar. Essas informações convergem no CMS, cujo algoritmo prioriza ameaças e seleciona armamentos em frações de segundo, conferindo superioridade de resposta em cenários de múltiplos vetores de ataque.
Arsenal ofensivo, defensivo e apoio aéreo
Na proa, o canhão Leonardo 76/62 mm Super Rapid dispara até 120 tiros por minuto, cobrindo alvos a 16 km. A defesa de área é reforçada pelo sistema Sea Ceptor com mísseis CAMM de lançamento vertical, aptos a interceptar aeronaves e mísseis antinavio sem a necessidade de manobra do casco. Para ameaças de curta distância, o Rheinmetall Sea Snake 30 mm atua como CIWS e é complementado por metralhadoras remotas FN Herstal Sea Defender 12,7 mm.
Imagem: altasnsitajai
No combate à superfície, o lançador ITL 70A integra o míssil francês Exocet MM40 ou o nacional MANSUP, ampliando a flexibilidade tática. A guerra antissubmarino é conduzida pelo sonar de casco Atlas Elektronik ASO 713 e pelos lançadores triplos SEA TLS-TT para torpedos MK46 ou MK54. Para enganar sensores inimigos, o sistema Terma C-Guard dispara iscas de radiofrequência e infravermelho em 360 graus.
A dimensão aérea da fragata inclui o helicóptero SH-16 Seahawk, equipado com sonar imerso e mísseis ar-superfície, além do VANT ScanEagle para missões de reconhecimento além da linha do horizonte, estendendo a consciência situacional do navio.
Conclusão Técnica
Com o lançamento da Cunha Moreira, o Programa Classe Tamandaré entra na fase de produção em série, garantindo entregas anuais até o final da década. A combinação de sensores de origem alemã, sistemas de comando nacionais e armamentos modulares posiciona a Marinha do Brasil entre as forças navais com capacidade integrada de defesa antiaérea, antissubmarino e antinavio. As próximas etapas incluem testes de mar, integração completa do CMS e certificação operacional, preparando a nova fragata para incorporar-se à Esquadra dentro do cronograma estipulado.




