Inflação de abril e encontro Xi-Trump concentram atenções e podem redefinir os mercados globais

As leituras do IPCA de abril, os indicadores de preços nos Estados Unidos e o aguardado aperto de mãos entre Donald Trump e Xi Jinping formam a combinação de eventos que deve testar a recente trégua observada no câmbio, nos juros e no Ibovespa já a partir desta segunda-feira, 11 de maio de 2026.

Agenda econômica nacional: IPCA inaugura sequência de dados decisivos

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga na terça-feira, 12, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente a abril. Projeções compiladas pelo Bradesco apontam para elevação de 0,69 % no mês, levando o acumulado em 12 meses a aproximadamente 4,4 %, patamar próximo ao teto da meta oficial.

O mercado pretende decompor o índice para identificar o peso de dois vetores principais: i) repasse externo oriundo da alta do petróleo Brent, que se mantém acima de US$ 100, e ii) pressões inerciais internas. A leitura servirá de termômetro para as expectativas sobre a trajetória da Selic ao longo do segundo semestre.

Na quarta-feira, 13, a Pesquisa Mensal de Comércio trará as vendas no varejo de março. O Bradesco estima variação de 0,1 % na versão restrita e de 0,2 % na ampliada, refletindo o impacto do crédito mais caro sobre o consumo das famílias.

A semana se encerra com a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) na sexta-feira, 15. A expectação de alta de 0,2 % servirá para aferir se o segmento, responsável por mais de 70 % do Produto Interno Bruto (PIB), mantém ritmo suficiente para sustentar o crescimento projetado de 2,0 % em 2026.

Termômetro internacional: inflação norte-americana delimita horizonte de juros

Nos Estados Unidos, o relatório de emprego de abril surpreendeu ao criar 115 mil vagas e manter a taxa de desemprego em 4,3 %, reduzindo a probabilidade de cortes na Fed Funds Rate antes de 2027. A atenção agora se volta para o Consumer Price Index (CPI) a ser publicado na terça-feira, 12, e para o Producer Price Index (PPI) marcado para quarta-feira, 13. Os dois indicadores servirão de insumo para o cálculo do Personal Consumption Expenditures (PCE), métrica preferida do Federal Reserve.

Qualquer surpresa altista reforçará a percepção de juros elevados por período prolongado, impactando diretamente fluxos de capital para mercados emergentes, câmbio e valuations em renda variável.

Diplomacia de alto risco: o significado do encontro Xi-Trump em Pequim

Na quinta-feira, 14, Pequim recebe a primeira reunião bilateral presencial entre Donald Trump e Xi Jinping desde o início do segundo mandato do presidente norte-americano. O gesto simbólico busca conter tensões comerciais, mas declarações sobre tarifas de semicondutores, propriedade intelectual ou restrições a terras-raras podem reacender a volatilidade.

Analistas destacarão cada menção a subsídios estatais, abertura de mercados agrícolas e salvaguardas tecnológicas. Qualquer sinal de escalada tarifária tende a penalizar commodities metálicas e fortalecer moedas consideradas porto seguro, como o dólar americano e o iene.

Panorama regional: México e Chile sob vigilância de risco político e combustível

No México, indicadores de emprego formal serão divulgados ao longo da semana, enquanto o noticiário sobre a denúncia contra o governador de Sinaloa, Rubén Rocha, adiciona viés de incerteza institucional. No Chile, a pesquisa de expectativas do banco central, prevista para terça-feira, medirá o impacto da disparada de 40 % nos preços da gasolina desde o início do conflito no Oriente Médio. As projeções de inflação em 3,0 % para dois anos permanecem ancoradas, mas o aumento dos combustíveis testa essa estabilidade.

Conclusão técnica

O conjunto de indicadores domésticos — IPCA, varejo e serviços — determinará a percepção de risco para ativos brasileiros diante de uma curva de juros global ainda restritiva. No exterior, o comportamento da inflação norte-americana e o desfecho do encontro Xi-Trump comporão o pano de fundo para movimentos de fuga ou busca de risco. Investidores monitoram, em tempo real, se a combinação de preços de energia elevados e impasses geopolíticos fortalecerá a pressão inflacionária já perceptível nos principais mercados. A evolução desses fatores nas próximas sessões deverá balizar revisões de crescimento, projeções de política monetária e, por consequência, a estratégia alocacional dos grandes gestores para o segundo trimestre de 2026.