Isenção de visto para turistas chineses entra em vigor e projeta salto no fluxo entre Brasil e China

Turistas da China poderão ingressar no Brasil sem visto a partir de 11 de maio de 2026, em estadas de até 30 dias, conforme decreto publicado nesta quinta-feira; a medida, válida até 31 de dezembro de 2026, foi anunciada pelo presidente em exercício Geraldo Alckmin e pelo ministro do Turismo Gustavo Feliciano, em regime de reciprocidade que também dispensa brasileiros do visto para a China.

Parceria recíproca consolida rota Brasil–China

O acordo bilateral foi formalizado um ano após Pequim adotar idêntica isenção para visitantes brasileiros, em maio de 2025. Com a nova política, cidadãos de ambos os países podem viajar para turismo, negócios, eventos culturais, competições esportivas ou visitas a familiares, desde que permaneçam no território por no máximo 30 dias. Permanências superiores continuam sujeitas aos trâmites consulares tradicionais.

Segundo o Ministério do Turismo, a remoção do visto integra uma estratégia de ampliação da presença brasileira no maior mercado emissor de viajantes do mundo. Entre maio de 2025 e abril de 2026, desembarcaram no Brasil 26 mil visitantes chineses, alta de 30,5 % frente ao intervalo anterior. No ano calendário de 2025, o fluxo alcançou 103 mil turistas, avanço de 35 % em relação a 2024.

A reciprocidade prevista no decreto assegura condições simétricas para brasileiros, que poderão entrar na China sem visto nos mesmos moldes e prazos. O dispositivo reforça o diálogo iniciado em 2023 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, voltado à consolidação de parcerias estratégicas em logística, agroindústria, energia e turismo.

Impacto econômico e preparação do trade nacional

Estudos internos do governo projetam que a remoção de barreiras burocráticas pode elevar em até 40 % o volume de viajantes chineses já em 2027, potencializando receitas nos segmentos de hospedagem, gastronomia, transporte terrestre e compras. Para dar suporte ao crescimento esperado, foram reforçadas ações de qualificação profissional, infraestrutura e marketing direcionado.

Uma das frentes centrais é o Approved Destination Status (ADS), que já conta com 325 agências brasileiras cadastradas no sistema Cadastur. Essas operadoras estão autorizadas a comercializar pacotes a grupos chineses, oferecendo guias fluentes em mandarim, cardápios adaptados e sinalização bilíngue. A pasta planeja expandir o número de empresas habilitadas e promover workshops de hospitalidade focados em protocolos de segurança, costumes alimentares e meios de pagamento digitais populares na Ásia.

Além do setor privado, governos estaduais buscam captar parte desse fluxo. Durante o 10.º Salão do Turismo, realizado até 9 de maio em Fortaleza, o ministro Gustavo Feliciano ressaltou que a política “fortalece laços e cria novas oportunidades para negócios e intercâmbios culturais”. Representantes de destinos como Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu e Amazônia apresentaram roteiros específicos para o público chinês, priorizando experiências de natureza, compras e gastronomia regional.

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Logística aérea e desafios de conectividade

Analistas avaliam que o êxito pleno da isenção dependerá da expansão de voos diretos, hoje concentrados no aeroporto internacional de Guarulhos (SP) e em rotas trianguladas via Lisboa. Conforme dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), a malha atual comporta pouco mais de 200 mil assentos entre os dois países por ano, volume considerado insuficiente para atender às projeções de demanda.

Companhias aéreas estudam introduzir frequências adicionais ligando São Paulo a Pequim, Xangai e Guangzhou, além da possibilidade de novos hubs em Rio de Janeiro e Brasília. Incentivos fiscais a querosene de aviação, acordos de quinta liberdade e a abertura de slots nos principais aeroportos figuram entre as medidas em negociação para viabilizar a ampliação da oferta.

Paralelamente, o Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) intensificará campanhas digitais na plataforma WeChat e nas OTAs chinesas mais acessadas, divulgando patrimônios naturais e eventos internacionais sediados no Brasil entre 2026 e 2027. Materiais promocionais bilingues e influenciadores de viagens serão utilizados para consolidar a imagem do país como destino seguro, diverso e competitivo.

Conclusão Técnica

A autorização de entrada sem visto para cidadãos chineses, em vigência a partir de 11 de maio de 2026, alinha-se a políticas globais de facilitação de mobilidade e posiciona o Brasil para captar maior participação no turismo asiático. Com projeções de crescimento de até 40 % no número de visitantes, a iniciativa exige continuidade nos investimentos em conectividade aérea, capacitação de serviços e promoção internacional. Caso as ações logísticas e de marketing avancem no ritmo planejado, o país poderá converter o novo regime migratório em incremento sustentável de receitas e em fortalecimento dos vínculos bilaterais até, pelo menos, 2027.