Santander confirma Gilson Finkelzstain como novo CEO e reforça plano de continuidade estratégica

O conselho de administração do Santander Brasil aprovou por unanimidade a eleição de Gilson Finkelzstain para o cargo de diretor-presidente, condicionando a posse à autorização do Banco Central, ao término do vínculo do executivo com a B3 e à saída oficial de Mario Roberto Opice Leão.

Cronologia da sucessão e requisitos regulatórios

O processo de sucessão teve início em março de 2026, quando o banco indicou Finkelzstain para conduzir a próxima fase da instituição. Em 8 de maio, o Comitê de Nomeação e Governança recomendou formalmente o nome do executivo, e o colegiado máximo do banco validou a escolha sem votos dissidentes.

O mandato aprovado é complementar, com vigência até a primeira reunião do conselho subsequente à Assembleia Geral Ordinária de 2027. Na esfera regulatória, o Santander afirmou que o indicado “atende às exigências do Conselho Monetário Nacional (CMN)” e declarou-se apto para exercer a função.

Três etapas ainda precisam ser concluídas antes da assunção definitiva:
 • Autorização do Banco Central do Brasil, condição indispensável para qualquer alteração de comando em instituições financeiras de grande porte;
 • Encerramento do contrato de Finkelzstain com a B3, onde ele ocupa posição executiva desde a fusão que originou a bolsa em 2017;
 • Saída oficial de Mario Leão, atual CEO que permanece no cargo até a transição ser homologada.

Trajetória profissional e expertise de mercado

Formado em Engenharia de Produção Civil pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Gilson Finkelzstain iniciou a carreira no Citibank, onde participou de programa de trainee e alcançou a diretoria. Entre 2011 e 2013, ingressou no Santander Brasil para chefiar áreas de renda fixa, câmbio, commodities, produtos e estruturação de derivativos.

O executivo acumula passagens estratégicas por JP Morgan e Bank of America Merrill Lynch. Seu perfil ganhou relevância nacional quando assumiu a presidência da Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos (Cetip), então maior depositária de títulos privados da América Latina. À frente da Cetip, liderou o processo de fusão com a BM&F Bovespa, resultando na criação da B3 em 2017.

Com trânsito no mercado de capitais, experiência em infraestrutura financeira e histórico de gestão de custos, Finkelzstain chega ao topo do Santander recomendado pela alta governança interna e respaldado por mais de duas décadas de atuação em bancos de investimento e instituições de infraestrutura de mercado.

Diretrizes de continuidade operacional

Relatórios de casas de análise, como o do JP Morgan, apontam para manutenção de duas frentes consideradas vitais na estratégia do Santander Brasil.

1. Disciplina de custos – O banco pretende sustentar crescimento nominal zero das despesas no médio prazo. Para isso, avança no programa de tecnologia Gravity, que migra sistemas legados para a nuvem, e intensifica a otimização da rede de agências, a redução de camadas hierárquicas e a renegociação de contratos operacionais.

2. Seletividade no crédito – A prioridade segue na rentabilidade, com destaque para clientes alta renda Select e PMEs, segmentos que costumam registrar retornos entre 40% e 50%, segundo projeções internas. Ao mesmo tempo, a exposição às faixas de menor renda continua em trajetória descendente, alinhada à política de risco controlado.

A permanência dessas diretrizes sinaliza que não haverá ruptura estratégica significativa, mas, sim, reforço do modelo de eficiência e rentabilidade implementado na gestão anterior.

Conclusão técnica

Com a aprovação unânime do conselho, o Santander Brasil encerra a fase interna de sucessão e aguarda os trâmites regulatórios para efetivar Gilson Finkelzstain como CEO até 2027. A leitura predominante no mercado é de continuidade operacional, sustentada pela disciplina de custos e pela seletividade na concessão de crédito. A materialização da posse dependerá do aval do Banco Central e da formalização das etapas contratuais pendentes, etapas que, uma vez concluídas, consolidarão a transição sem alterações abruptas na estratégia corrente do banco.