O Ministério dos Transportes de Israel apresentou proposta que autoriza a Emirates a operar rotas diretas de Tel Aviv para Nova York (JFK) e Bangkok (BKK), sem escala em Dubai, explorando direitos de sétima liberdade e abrindo caminho para maior concorrência em dois eixos estratégicos do tráfego internacional.
Contexto e motivação governamental
O plano foi revelado em 19 de maio de 2026 pelo canal israelense N12/Mako. Segundo fontes do governo, a medida busca retomar a presença da Emirates no Aeroporto Ben Gurion (TLV), suspensa desde 7 de outubro de 2023 por preocupações de segurança regional. Ao permitir voos independentes da base nos Emirados Árabes Unidos, o Executivo pretende:
- Reforçar a conectividade de Israel com dois dos maiores hubs globais.
- Estimular a competição em mercados dominados por companhias nacionais.
- Reduzir tarifas médias em viagens corporativas e de lazer.
Dados do Ministério do Turismo de Israel indicam que, antes da suspensão de 2023, o fluxo anual entre Tel Aviv e Nova York superava 1,2 milhão de passageiros, enquanto o trecho Tel Aviv–Bangkok registrava aproximadamente 650 mil viajantes. A entrada de um novo operador tende a absorver parte dessa demanda reprimida após a saída de rotas internacionais durante o último biênio.
Entenda a sétima liberdade aérea
Os direitos de sétima liberdade permitem que uma transportadora conecte dois países estrangeiros sem que a origem ou o destino envolva seu território de registro. Diferenciam-se da quinta liberdade, na qual o voo necessita começar ou terminar no país da empresa. Na prática, a Emirates poderá:
- Decolar de Tel Aviv rumo a Nova York ou Bangkok sem extensão a Dubai.
- Vender assentos integralmente no trecho entre Israel e Estados Unidos ou Tailândia.
- Operar frequências regulares sob número de voo próprio, disputando passageiros locais.
Historicamente, pactos de sétima liberdade são raros e exigem acordos bilaterais específicos para vigorar. Austrália, Singapura e Islândia figuram entre os poucos países que já concederam autorização semelhante a companhias estrangeiras, geralmente acompanhada de contrapartidas regulatórias e revisão de slots aeroportuários.
Impacto previsto sobre empresas israelenses
A possível entrada da Emirates nessas rotas pressiona El Al e Arkia, principais operadoras de longo curso do país. Analistas estimam que:
- A El Al detém cerca de 38 % do market share entre Tel Aviv e Nova York.
- A Arkia participa com 12 % do tráfego para o Sudeste Asiático, incluindo Bangkok.
Com capacidade média de 354 assentos no Boeing 777-300ER, a Emirates pode adicionar mais de 250 mil lugares anuais nos dois corredores aéreos, ampliando a oferta total em até 15 %, segundo estimativas da consultoria australiana OAG. Companhias nacionais argumentam que a abertura irrestrita cria desequilíbrio competitivo, pois a transportadora árabe conta com escala global de frota, acordos de interline e programa de fidelidade consolidado.
Imagem: Internet
Cronograma regulatório e requisitos operacionais
Embora a proposta tenha apoio de segmentos industriais e turísticos, a implementação depende de múltiplas etapas técnicas:
| Etapa | Responsável | Previsão |
|---|---|---|
| Análise de conformidade | Autoridade de Aviação Civil de Israel | 2-3 meses |
| Negociação de slots | Airports Authority, JFK e BKK | Até próxima temporada IATA |
| Emissão de certificados operacionais | Emirates & GCAA | Aval a partir do Q4 2026 |
| Definição de frequências e horários | Emirates | Pós-aprovação |
Fontes internas relatam que a Emirates ainda avalia viabilidade comercial, sobretudo em relação a custos de seguro e condições de segurança no espaço aéreo israelense. A operadora não publica cronograma oficial desde o encerramento temporário das operações em 2023.
Possíveis efeitos sobre tarifas e passageiros
Estudos do Centro Internacional de Aviação apontam que a entrada de uma transportadora adicional em rotas transatlânticas reduz tarifas em média 12 % a 18 % no primeiro ano. Para o corredor Tel Aviv–Bangkok, a queda histórica foi de 9 % após abertura similar entre 2015 e 2017, quando a Thai Airways intensificou frequências. Entre os principais beneficiados:
- Empresas de tecnologia de Israel que realizam business travel frequente aos Estados Unidos.
- Viajantes de turismo médico e religioso na rota asiática.
- Operadoras de turismo receptivo que vendem stopovers em Israel.
Conclusão técnica e próximos passos
A proposta de conceder direitos de sétima liberdade à Emirates representa movimento inédito na política aeroviária de Israel, com potencial de expandir a oferta de assentos em 15 % e provocar ajuste tarifário relevante em dois mercados de alta densidade. O processo segue para análise regulatória, negociação de slots e certificação operacional. Caso todos os trâmites sejam concluídos conforme o cronograma, a nova malha poderá iniciar operações no primeiro semestre de 2027, ampliando a competição e modificando o equilíbrio entre companhias domésticas e estrangeiras.




