Itaú BBA aposta em recuperação de até 22% na Direcional após queda causada pela guerra no Irã

Recomendação de compra emitida pelo Itaú BBA indica potencial de valorização de 22% para as ações da Direcional Engenharia (DIRR3), que caíram mais de 8% no último mês em meio ao receio de alta nos custos da construção civil provocada pelo conflito no Irã.

Pressão inflacionária e reação do mercado

O avanço das hostilidades no Oriente Médio elevou os preços de insumos estratégicos, impactando cadeias globais e pressionando o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). No Brasil, esse movimento atingiu em cheio o segmento de baixa renda, onde a Direcional concentra a maior parte de suas operações. Em 14 de maio de 2026, o papel era negociado a R$ 13,09, patamar 8,3 % inferior ao observado trinta dias antes.

O cenário adverso levou investidores a reduzir exposição a construtoras, provocando desvalorização generalizada. Contudo, o Itaú BBA avalia que o mercado precificou de forma excessiva um risco de inflação que, embora real, encontra mitigadores relevantes na saúde operacional da companhia mineira.

Estratégia tática do Itaú BBA

Em relatório distribuído a clientes, a equipe de análise do banco estabeleceu faixa de entrada até R$ 13,85, preço-alvo em R$ 16,00 e stop loss em R$ 11,28. A recomendação tem horizonte de curto a médio prazo, classificada como alocação tática. Segundo o documento, a Direcional ostenta margem bruta inicial mais alta em comparação aos pares, característica que assegura colchão contra eventuais elevações de custo.

A instituição reconhece, entretanto, que uma aceleração do INCC acima das estimativas exigirá revisões negativas de lucro para todo o setor. Mesmo assim, o banco sustenta que a combinação de preço descontado, eficiência operacional e políticas públicas de habitação cria assimetria favorável ao investidor disposto a capturar a retomada.

Defesas operacionais da Direcional

Durante teleconferência de resultados realizada na semana do anúncio, o CEO Ricardo Gontijo detalhou mecanismos que blindam a companhia. Entre eles, destacam-se:

Recebíveis indexados: mais de R$ 2,7 bilhões em créditos, dos quais R$ 1,8 bilhão vinculados à subsidiária Riva, ajustados majoritariamente pelo INCC, criando hedge natural contra pressões de custos.

Estoque já lançado: cerca de R$ 5 bilhões em obras em andamento, com possibilidade de repasse de preços ao consumidor se a inflação superar o orçamento original.

Estrutura enxuta: controle rigoroso de despesas administrativas, refletido em retorno sobre patrimônio líquido acima da média setorial.

Além dos fatores internos, o banco ressalta continuidade dos incentivos ao Minha Casa Minha Vida (MCMV), que inclui aporte adicional do FGTS para financiamentos. O benefício sustenta a demanda por unidades populares, principal nicho da construtora.

Conclusão técnica

Com base nos parâmetros divulgados, a recomendação do Itaú BBA fundamenta-se na combinação de preço atrativo, capacidade de repasse inflacionário e sólida carteira de recebíveis indexados. Embora o conflito no Irã adicione volatilidade ao INCC, a Direcional dispõe de margens iniciais robustas e estoque precificado que permitem absorver choques de custo sem degradação abrupta de rentabilidade. Caso a inflação dos insumos se mantenha dentro das projeções do banco, o papel tem espaço estatístico para retornar ao intervalo de R$ 16, gerando retorno potencial de 22 % frente ao fechamento mais recente. Investidores devem monitorar a evolução dos preços de materiais e os desdobramentos da política habitacional federal como variáveis-chave para validar o alvo proposto.