Livorno Participações, veículo formado por Itaúsa, GIC e Equipav, protocolou proposta para adquirir até 30 % do capital total da Copasa, passo decisivo no processo de escolha do investidor de referência da companhia mineira de saneamento previsto para ser concluído em 27 de maio.
Estrutura societária da oferta
A composição acionária da Livorno Participações foi desenhada para dividir igualmente o capital entre os três sócios estratégicos. Cada um — Itaúsa, GIC (Fundo Soberano de Cingapura) e Equipav Saneamento — deterá 33 % do veículo. O modelo oferece à holding flexibilidade financeira e governança equilibrada, reduzindo a exposição individual de cada investidor.
De acordo com fato relevante, a participação direta da Aegea Saneamento — controlada pela Equipav — será inferior a 1 % ao término da operação. A configuração visa preservar a alavancagem da operadora, mantendo foco em liquidez e custo de capital. Esse desenho também atende às exigências do Governo de Minas Gerais, que busca parceiro com horizonte de longo prazo para executar obrigações de universalização de serviços.
Para a Itaúsa, o movimento integra a estratégia anunciada de “alocação eficiente de capital”. A companhia, tradicionalmente concentrada em participações no setor financeiro, vem diversificando o portfólio desde 2018 — entrou em segmentos como energia, saneamento e infraestrutura — buscando rentabilidade adicional e geração de valor para acionistas.
Contexto do processo de privatização da Copasa
Após anos de debates legislativos e disputas judiciais, o Governo mineiro publicou em 21 de maio o prospecto preliminar da oferta secundária que pode superar R$ 9 bilhões. O documento prevê a alienação de ações suficientes para reduzir a fatia estatal a menos de 50 % e estabelecer um “investidor de referência” com até 30 % do capital social.
O calendário oficial determina: divulgação dos finalistas em 27 de maio, assinatura do acordo de acionistas antes da liquidação financeira e início do período de lock-up de quatro anos logo após a conclusão da oferta. O investidor vencedor assumirá metas contratuais de cobertura de esgotamento sanitário de 90 % até 2033, manutenção de tarifa social e obrigação de não alienar as ações durante o lock-up.
O desenho está alinhado ao Marco Legal do Saneamento (Lei 14.026/2020), que estabelece metas de universalização para 31 de dezembro de 2033. Em caso de descumprimento, o contrato prevê penalidades financeiras e possibilidade de execução de garantias por parte do Estado.
Imagem: Internet
Interesse estratégico e implicações para o setor
Para a Aegea, maior operadora privada de saneamento do país, a entrada na Copasa reforça a presença em Minas Gerais e amplia a base atendida, hoje superior a 31 milhões de pessoas em 506 municípios. A companhia já detém concessões no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte, e enxerga sinergias operacionais na otimização de plantas de tratamento e na gestão integrada de resíduos.
No caso da Itaúsa, a Copasa representaria a segunda grande posição no segmento — a primeira foi a aquisição, em 2022, de 10,3 % da Aegea. Analistas avaliam que o retorno potencial é atraente diante da combinação de fluxo de caixa previsível, reajustes tarifários indexados e crescimento orgânico via expansão de serviços.
Já para o governo mineiro, o modelo de “investidor âncora” busca reduzir percepções de risco, aumentar a demanda institucional na oferta e acelerar investimentos estimados em R$ 18 bilhões ao longo da próxima década. O montante é considerado crucial para ampliar a cobertura de esgoto, hoje em torno de 45 % no estado.
Conclusão técnica
Com a proposta da Livorno Participações, o processo de escolha do investidor de referência da Copasa avança para a reta final. Caso o consórcio liderado por Itaúsa e Aegea seja ratificado em 27 de maio, os próximos passos incluem assinatura do acordo de acionistas, definição do preço na oferta de ações e homologação pelos órgãos reguladores. O desfecho deverá influenciar a dinâmica competitiva do saneamento brasileiro, elevar o volume de investimentos no estado de Minas Gerais e consolidar a presença do capital privado em serviços públicos essenciais.




