Lucro recorrente recorde impulsiona B3SA3 e reforça recomendação de compra do Citi

Impulsionadas por um lucro líquido recorrente de R$ 1,5 bilhão no 1º trimestre de 2026, as ações da B3SA3 sobem no Ibovespa depois de o Citi reiterar recomendação de compra e manter preço-alvo em R$ 23, o que indica potencial de valorização próximo de 30 % frente ao último fechamento.

Resultados financeiros do 1º trimestre de 2026

A B3 reportou desempenho robusto entre janeiro e março. A receita total avançou 20 % na comparação anual e alcançou patamar histórico, sustentada não apenas pelo segmento de renda variável, mas também por áreas de tecnologia, plataformas e soluções para mercado de capitais. O resultado operacional refletiu forte alavancagem: enquanto as receitas cresceram dois dígitos, os custos ajustados subiram apenas 6 %, preservando margens.

No front fiscal, a alíquota efetiva de impostos ficou em 28 %, abaixo da estimativa de 34 % utilizada pelo mercado. Essa menor carga tributária adicionou cerca de R$ 100 milhões ao lucro antes de taxas, contribuindo para a alta de 33 % no lucro recorrente frente ao 1T25.

Já o volume médio diário negociado (ADTV) em ações à vista somou R$ 34,8 bilhões, crescendo 46 % em relação ao ano anterior. Nos derivados, o total de contratos evoluiu 16 %, refletindo volatilidade provocada pelas discussões sobre cortes de juros e pelo conflito no Oriente Médio.

Reação do mercado e avaliação do Citi

Com as novas métricas divulgadas, as ações da bolsa brasileira chegaram a tocar R$ 18,30 na máxima intradiária de 8 de maio. Por volta das 14h, os papéis registravam avanço de pouco mais de 1 %, negociados próximos de R$ 18,00. O Citi, em relatório distribuído a clientes, classificou o trimestre como “forte” e destacou a “combinação de expansão de receitas e disciplina de custos” mesmo em ambiente de Selic elevada.

O banco norte-americano vê a estratégia de diversificação como principal motor do desempenho recente. Mesmo com a retomada da atividade em renda variável, 77 % da receita total seguiu proveniente de linhas fora do pregão de ações — estatística que protege o resultado contra ciclos de mercado.

Na projeção do Citi, a consistência operacional abre espaço para earnings acima do consenso também nos próximos trimestres, desde que a liquidez permaneça estável e o fluxo estrangeiro continue positivo.

Estratégia de diversificação e pilares de crescimento

De acordo com o diretor financeiro André Milanez, a estratégia de longo prazo incorpora três vetores centrais: tecnologia, dados e analytics e expansão internacional de serviços. As unidades recorrentes — serviços de pós-negociação, depositária e colaterais — sustentam fluxo de caixa previsível, enquanto iniciativas em software para o ecossistema financeiro acrescentam novas fontes de receita.

O executivo ressaltou que o saldo de R$ 38 bilhões de capital estrangeiro na B3, somente no 1º trimestre, foi determinante para o salto no ADTV. Em paralelo, a permanência dos juros em patamar elevado ainda limita a migração de investidores locais para a bolsa, mas a administração acredita que cortes graduais na Selic podem destravar nova rodada de crescimento em renda variável.

Mercado de capitais e retomada de IPOs

Apesar de o mercado primário ter permanecido estagnado desde 2021, a B3 monitora uma fila potencial de cerca de 100 empresas aptas a listar ações nos próximos 18 meses. O possível sucesso do IPO da Compass Gás e Energia — precificado em 8 de maio — é visto internamente como termômetro para a reabertura da janela.

Segundo Milanez, aproximadamente 50 companhias já possuem registro de companhia aberta na Comissão de Valores Mobiliários, o que reduz barreiras regulatórias. A retomada depende, contudo, da clareza sobre a trajetória de inflação e de juros globais, fatores que ainda geram volatilidade e afetam a precificação de ativos de risco.

Conclusão técnica

Os resultados do 1º trimestre confirmam a eficácia da alavancagem operacional da B3 e o valor de sua diversificação de receitas. A manutenção do preço-alvo de R$ 23 pelo Citi, aliada ao crescimento de lucro recorrente de 33 %, sinaliza expectativa de continuidade no ciclo de expansão, desde que a dinâmica de volumes e o ambiente macroeconômico se mantenham favoráveis. O monitoramento do fluxo estrangeiro, do custo de capital doméstico e da abertura do mercado de IPOs permanece essencial para avaliar os próximos passos da companhia.