A Lufthansa anunciou a aquisição de mais 49% da ITA Airways, operação de € 325 milhões que elevará o controle do grupo alemão de 41% para 90% da companhia italiana, com conclusão prevista para o primeiro trimestre de 2027, condicionado à aprovação regulatória na União Europeia e nos Estados Unidos.
Avanço acelerado na integração e detalhes financeiros
A integração da ITA Airways ao Lufthansa Group caminha em ritmo considerado recorde pelo CEO Carsten Spohr. Desde a compra inicial de 41%, formalizada em janeiro de 2025, o grupo identificou sinergias operacionais que justificaram a antecipação da segunda fase da aquisição. O novo aporte de € 325 milhões será financiado com caixa próprio e linhas de crédito já disponíveis, segundo comunicado da holding.
Com o fechamento da transação, a estrutura societária ficará distribuída em 90% para o Lufthansa Group e 10% para o Ministério da Economia e Finanças da Itália, que preserva minoria para assegurar compromissos de serviço público em rotas domésticas estratégicas. A documentação submetida à Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia detalha metas de rentabilidade e salvaguardas de mercado para evitar concentração excessiva em aeroportos italianos.
Impacto nas redes de rotas e planos para o hub de Roma
O projeto de integração posiciona o Aeroporto Internacional Leonardo da Vinci (Fiumicino) como novo hub mediterrâneo do grupo, ampliando conexões entre Europa, América do Sul e Oriente Médio. Planos preliminares indicam crescimento de até 35% na oferta de assentos (ASK) a partir de 2028, distribuídos em voos de longa distância operados por aeronaves Airbus A330-900neo e A350-900.
Além da expansão internacional, a malha de voos regionais será otimizada por meio de codeshare com SWISS, Austrian Airlines e Brussels Airlines, reduzindo sobreposição de frequências e elevando o fator de ocupação médio do grupo. A expectativa divulgada ao mercado prevê economia anual de custos operacionais na ordem de € 120 milhões a partir do terceiro ano pós-fusão, resultado da padronização de processos de manutenção, compras e TI.
Benefícios esperados para passageiros e efeitos concorrenciais
Do ponto de vista do consumidor, a principal mudança será a interoperabilidade total entre os programas de fidelidade Miles & More e Volare, programada para iniciar fase piloto ainda em 2026. Passageiros poderão transferir milhas, acessar salas VIP compartilhadas e acumular status elite de forma integrada. A aliança extensiva possibilitará também tarifa única em bilhetes combinados entre empresas do grupo, fator que tende a simplificar conexões e reduzir o tempo de viagem em até 15% em determinados itinerários.
Em termos de competição, analistas da consultoria Oxford Economics apontam que a presença reforçada da Lufthansa na Itália poderá equilibrar a participação de mercado frente a operadoras de baixo custo como Ryanair e easyJet, que atualmente detêm mais de 50% do tráfego doméstico italiano. A Comissão Europeia deverá impor condições relacionadas a slots em aeroportos congestionados, notadamente Milão-Linate e Roma-Fiumicino, a fim de preservar níveis adequados de concorrência.
Imagem: viagens
Histórico de consolidações recentes no setor aéreo europeu
A operação com a ITA Airways insere-se em tendência de consolidação observada na última década. Em 2017, a Lufthansa assumiu controle integral da Brussels Airlines, enquanto o International Airlines Group (IAG) adquiriu a espanhola Air Europa em 2023. Os movimentos são impulsionados por pressões de custo, demanda por escala global e necessidade de investimentos em frota de baixa emissão de carbono para cumprimento das metas ambientais da União Europeia.
Para a Itália, a entrada majoritária da Lufthansa representa a conclusão de um processo iniciado com a extinção da antiga Alitalia em 2021. Segundo o Banco de Investimento Mediobanca, a capitalização acumulada desde a fundação da ITA, somando recursos públicos e privados, ultrapassará € 2,2 bilhões após o novo aporte alemão.
Conclusão Técnica
A compra adicional de 49% da ITA Airways pelo Lufthansa Group, avaliada em € 325 milhões, amplia o controle do conglomerado para 90% e consolida a empresa italiana como a quinta aérea de rede do grupo. A efetivação, prevista para o primeiro trimestre de 2027, depende de aprovação antitruste na União Europeia e nos Estados Unidos. O plano estratégico envolve transformar Roma em hub intercontinental, integrar programas de fidelidade e capturar sinergias operacionais significativas. Observadas as condições regulatórias e o cronograma de implementação, os passageiros devem experimentar gradativa padronização de serviços, aumento de opções de conexão e potencial redução de custos de viagem a partir de 2028.




