Manobra precisa de bombeiro salva bebê de três meses após engasgo em Florianópolis

Um bebê de três meses voltou a respirar após a aplicação imediata da manobra de desobstrução das vias aéreas realizada pelo Cabo Fábio Girardi dentro do Quartel Central do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC), às 12h10 de segunda-feira, 11 de setembro, em Florianópolis.

Cronologia do incidente

De acordo com o sistema interno de videomonitoramento do quartel, o casal chegou ao portão principal às 12h09, com o bebê apresentando cianose — coloração arroxeada na face e nos lábios decorrente da falta de oxigênio. Aos gritos de “Meu filho não está respirando!”, o pai atravessou o pátio em direção à recepção, onde o Cabo Girardi encontrava-se de plantão. O militar deslocou-se em menos de 5 segundos até a família, recebeu a criança nos braços e iniciou, ainda em movimento, o protocolo de tapotagem interescapular alternada à compressão torácica. Imagens internas confirmam que, após o terceiro ciclo do procedimento, às 12h10, o neonato emitiu o primeiro som respiratório audível, indicando a retomada da passagem de ar.

Na sequência, às 12h12, a central de operações do CBMSC foi acionada para mobilizar uma ambulância de suporte básico. O veículo deixou o quartel às 12h15, transportando mãe, pai, bebê e dois socorristas em direção ao Hospital Infantil Joana de Gusmão, unidade de referência em pediatria na capital catarinense. A chegada ao pronto-socorro ocorreu às 12h24, conforme registro no prontuário hospitalar.

Procedimento aplicado pelo Corpo de Bombeiros

A técnica utilizada pelo Cabo Girardi corresponde às diretrizes da American Heart Association e do Conselho Nacional de Ressuscitação (CNR-Brasil) para desobstrução em lactentes. O protocolo prevê:

  • Cinco tapas firmes entre as escápulas, com a criança posicionada em decúbito ventral sobre o antebraço do socorrista;
  • Rotação do bebê para decúbito dorsal, seguida de cinco compressões torácicas no terço inferior do esterno;
  • Repetição dos ciclos até a liberação das vias aéreas ou perda de consciência.

No presente caso, apenas três tapas e duas compressões foram suficientes para expelir o corpo estranho, cuja natureza ainda não foi informada pelo hospital. O procedimento não causou lesões externas, conforme avaliação inicial do pediatra plantonista.

Impacto fisiológico do engasgo em lactentes

Em bebês até seis meses, a laringe posiciona-se mais superiormente, favorecendo a sucção, mas também aumenta o risco de obstrução por líquidos ou fragmentos de alimento. A cianose pode ocorrer em menos de 60 segundos de apneia, e danos neurológicos começam a ser observados após quatro minutos de hipóxia contínua. No vídeo divulgado pelo CBMSC, a face do lactente apresenta coloração arroxeada típica de saturação de oxigênio abaixo de 85 %. A intervenção rápida do bombeiro interrompeu a progressão para parada cardiorrespiratória, etapa em que a taxa de sobrevida cai drasticamente.

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Imagem: CBMSC

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Pediatria, engasgos representam aproximadamente 7 % das causas de óbito acidental em menores de um ano. Em Santa Catarina, o CBMSC registra, em média, 15 atendimentos mensais relacionados a sufocamentos nessa faixa etária, número que tende a aumentar nos períodos festivos, quando a oferta de alimentos sólidos é mais comum.

Encaminhamento hospitalar e monitoramento

No Hospital Infantil Joana de Gusmão, o bebê foi submetido a exame físico completo, oximetria de pulso e radiografia de tórax para descartar microaspirações. O resultado inicial indicou saturação de 97 % em ar ambiente, sem sinais de broncoaspiração. A equipe médica manteve observação em leito de emergência por 6 horas, período padrão para casos de recuperação pós-engasgo. Os pais receberam orientação sobre prevenção de novos episódios, incluindo:

  • Manter o lactente em posição ereta durante e após as mamadas por, no mínimo, 30 minutos;
  • Evitar oferecer alimentos com consistência inadequada à idade;
  • Participar de curso básico de primeiros socorros para familiares.

Após o período de monitoramento, a criança foi liberada sem intercorrências, com recomendação de retorno ambulatorial em 72 horas.

Conclusão Técnica

O episódio demonstra a relevância de tempo-resposta reduzido e de capacitação contínua do efetivo do CBMSC em protocolos pediátricos de urgência. A pronta execução da manobra padronizada evitou lesões hipóxicas e reduziu a necessidade de recursos hospitalares de alta complexidade. Enquanto aguarda o laudo definitivo do Hospital Infantil, o comando do Corpo de Bombeiros avalia incorporar o vídeo do resgate a programas educativos voltados à população, reforçando a meta institucional de diminuir incidentes de engasgo infantil em 2024. O caso permanece registrado como atendimento clínico com desfecho favorável nos arquivos do CBMSC, sem previsão de desdobramentos judiciais ou administrativos.