Dois homens, de 29 e 18 anos, foram detidos em 10 de julho durante a Operação Erínias, ampliando para cinco o número de suspeitos presos pelo sequestro, homicídio e ocultação do cadáver de uma adolescente de 17 anos no Oeste de Santa Catarina.
Nova etapa da Operação Erínias eleva total de presos para cinco
A ação conduzida pela Delegacia de Investigações Criminais (DIC) de Maravilha, com apoio da Delegacia de Polícia da Comarca (DPCO) de Pinhalzinho, resultou na captura dos novos investigados às 6h, quando foram cumpridos mandados de prisão temporária e de busca domiciliar. De acordo com a Polícia Civil, os agentes apreenderam telefones celulares, peças de roupa e anotações que podem vincular os suspeitos à logística do crime.
As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Maravilha após a juntada de novos elementos de prova, entre eles análises de imagens de videomonitoramento, laudos de telefonia e depoimentos prestados sob sigilo. Com as prisões de hoje, a investigação passa a contar com um universo de cinco indiciados formalmente.
Cronologia: do sequestro ao cerco policial
4 de julho — A adolescente foi sequestrada por volta das 22h em via pública, no centro de Maravilha. Testemunhas relataram que a vítima foi forçada a entrar em um veículo de cor escura.
7 de julho — Após três dias de buscas, o corpo foi localizado em uma área de mata de Nova Erechim, a 32 km do ponto de rapto. A perícia preliminar identificou ferimentos compatíveis com disparos de arma de fogo de calibre ainda não divulgado.
7 a 8 de julho — Três suspeitos foram presos: dois em Maravilha e o terceiro no Estado do Mato Grosso, onde, segundo a polícia, tentava fuga interestadual.
10 de julho — Seguem-se as novas capturas, consolidadas pela Erínias, operação batizada em referência às divindades da vingança na mitologia grega.
Imagem: Divulgação
Estratégia investigativa baseia-se em inteligência e perícia técnica
A Polícia Civil afirma que o inquérito avança em três frentes principais:
- Monitoramento eletrônico: cruzamento de registros de câmeras urbanas, celulares e dados de geolocalização permitiu traçar o trajeto do automóvel utilizado no sequestro.
- Quebra de sigilo telefônico: mensagens extraídas indicam divisão clara de tarefas, incluindo vigilância da vítima, transporte e ocultação do corpo.
- Perícia balística e de DNA: fragmentos de munição colhidos na cena do crime estão em confronto no banco nacional de projéteis; amostras biológicas coletadas no veículo suspeito passam por amplificação genética.
Os investigadores trabalham para individualizar a conduta de cada envolvido. A hipótese mais forte aponta para atuação em célula organizada, capaz de articular deslocamentos rápidos entre municípios vizinhos — característica que justificou a mobilização de delegacias regionais.
Responsabilidade penal e próximos passos da apuração
Todas as prisões efetuadas até o momento são temporárias, com prazo de 30 dias, prorrogáveis se houver necessidade de aprofundamento das diligências. Os detidos podem responder por sequestro qualificado, homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima) e ocultação de cadáver, crimes que, somados, ultrapassam a pena máxima de 50 anos de reclusão.
Em paralelo, a Comarca de Maravilha analisa pedidos de prisão preventiva para assegurar ordem pública e evitar destruição de provas. Se convertidas, as medidas mantêm os investigados detidos até eventual sentença ou revogação judicial.
Conclusão Técnica
A Operação Erínias consolidou a prisão de cinco suspeitos em menos de uma semana, demonstrando celeridade na coleta de provas materiais e testemunhais. O inquérito permanece ativo para definir a dinâmica exata do sequestro, identificar todos os autores intelectuais e logísticos e concluir laudos periciais pendentes. As autoridades estimam concluir a fase investigativa dentro do prazo legal, remetendo o relatório final ao Ministério Público, que decidirá sobre a apresentação da denúncia e a progressão do processo criminal.




