Paul Krugman classifica visita de Trump à China como “acelerador da decadência” e aponta avanço estratégico de Pequim

O economista laureado com o Nobel Paul Krugman afirmou que a chegada de Donald Trump a Pequim, em 14 de maio de 2026, consolida um momento crítico: para ele, o presidente norte-americano desembarca como “suplicante”, enquanto a China capitaliza fragilidades dos Estados Unidos em frentes diplomáticas, militares e industriais.

Viagem marcada por desequilíbrio de poder

A recepção de Xi Jinping a Trump ocorre após sucessivos reveses de Washington. Segundo Krugman, a “derrota humilhante” no Golfo Pérsico frente ao Irã minou a percepção de liderança global dos EUA. O economista sustenta que o republicano chegou a Pequim para negociar concessões pontuais — como compras adicionais de soja norte-americana — na tentativa de recuperar credibilidade política doméstica antes das eleições de novembro de 2026.

Esse cenário contrasta com visitas anteriores de chefes de Estado dos EUA, caracterizadas por reivindicações firmes. Agora, Krugman descreve a postura como “triste e patética”, sinalizando que Pequim detém vantagem negocial inédita em quatro décadas de relações bilaterais modernas.

Erosão das alianças tradicionais dos Estados Unidos

Krugman aponta a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) como exemplo de capital diplomático desperdiçado. Após críticas públicas e ameaças de retirada de financiamentos feitas por Trump, parceiros europeus intensificaram conversas estratégicas autônomas, reduzindo a dependência de Washington. Episódios semelhantes ocorreram com Canadá, México e União Europeia, criando o que Krugman chama de “isolamento autoinfligido”.

Na avaliação do economista, esse vácuo é explorado por Pequim com acordos comerciais multilaterais que reforçam a Iniciativa Cinturão e Rota. Ele lembra que a manufatura chinesa ultrapassou a norte-americana em volume há 15 anos e que, desde 2015, a economia da China supera a dos EUA em paridade de poder de compra, segundo dados do FMI.

Políticas tarifárias e dependência de cadeias críticas

Krugman argumenta que a estratégia tarifária de Trump falhou ao tentar repatriar produção industrial: setores intensivos em aço, alumínio e componentes eletrônicos registraram aumento médio de 18 % nos custos, segundo o Departamento de Comércio dos EUA. Enquanto isso, a retaliação chinesa nas terras raras — insumos vitais a semicondutores e veículos elétricos — evidenciou a vulnerabilidade das cadeias norte-americanas.

Na transição energética, o governo norte-americano teria atrasado investimentos em fontes renováveis. Dados da Agência Internacional de Energia indicam que a China responde hoje por 30 % das instalações solares globais, enquanto os EUA mantêm participação inferior a 15 %. Krugman ressalta que esse descompasso amplia a liderança tecnológica de Pequim em baterias e hidrogênio verde.

Capacidade de barganha chinesa e implicações para Taiwan

Segundo o artigo, Xi Jinping deve oferecer concessões limitadas, calculadas para aliviar pressões políticas sobre Trump sem comprometer objetivos estratégicos. Entre eles, destaca-se a possibilidade de condicionamento tácito de cada gesto simbólico — como a assinatura de memorandos de importação — ao silêncio norte-americano em temas sensíveis, a exemplo de Taiwan e do Mar do Sul da China.

Krugman interpreta a dinâmica como parte de um plano de longo prazo: Pequim visa consolidar sua influência em organismos multilaterais e moldar normas tecnológicas globais enquanto Washington lida com divisões internas. A presença de grandes empresas norte-americanas na comitiva presidencial ilustra a busca por acordos corporativos específicos, mas não altera o balanço de poder macroestratégico.

Conclusão técnica

Os fatos reunidos por Paul Krugman sugerem que a balança geopolítica pende, no curto prazo, para o lado chinês. A combinação de alianças enfraquecidas, dependência de insumos críticos e atraso em indústrias emergentes limita a margem de manobra dos Estados Unidos durante a visita de Donald Trump. A China, ciente desse quadro, tende a extrair ganhos incrementais em comércio e legitimidade diplomática, preparando terreno para avanços sobre questões como Taiwan. Especialistas em relações internacionais monitoram eventuais anúncios sobre commodities agrícolas e cooperação empresarial, mas o consenso é que eventuais promessas não revertirão, por ora, a tendência de perda relativa de influência de Washington.