Lisboa, 2 de maio de 2026 – A companhia aérea Ryanair solicitou ao governo de Portugal que suspenda a implementação do Sistema de Entrada/Saída (EES) da União Europeia até setembro de 2026, alegando risco de congestionamento em aeroportos durante a alta temporada de verão europeu. O pedido foi formalizado por carta endereçada ao ministro da Administração Interna, Luís Neves, e se baseia na previsão de atrasos de até duas horas no controle de passaportes, segundo a empresa.
O que é o EES e por que ele preocupa companhias aéreas
O EES é um banco de dados biométrico que registrará entradas e saídas de cidadãos de países terceiros que viajam para a área Schengen. A ferramenta, prevista no Regulamento (UE) 2025/1534, exige coleta de impressões digitais e reconhecimento facial nos pontos de fronteira. A data oficial para início da operação integral é 10 de abril de 2026.
Para a Ryanair, o cronograma impõe desafios logísticos consideráveis em pleno pico de tráfego. A transportadora argumenta que:
- Os aeroportos portugueses ainda não instalaram todos os quiosques de autoatendimento necessários;
- Há falta de pessoal treinado para operar o sistema e orientar passageiros;
- Falhas nos testes técnicos vêm sendo registradas desde o primeiro trimestre.
Neal McMahon, diretor de Operações da empresa, afirma que governos europeus tentam “implementar um sistema de TI inacabado no momento mais movimentado do ano” e que os viajantes são quem arcam com as consequências.
Impacto previsto nos aeroportos de Faro, Funchal e Porto
Dados internos da Ryanair indicam tempos de espera já superiores a 1 hora no Aeroporto de Faro (FAO) e entre 90 e 120 minutos nos terminais de Funchal (FNC) e Porto (OPO), mesmo antes da adoção plena do EES. Os atrasos estariam ligados a:
- Escassez de agentes do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) disponíveis por turno;
- Equipamentos de leitura biométrica ainda em fase de calibração;
- Aumento projetado de 15 % no volume de passageiros internacionais entre junho e agosto.
Segundo a companhia, esses fatores já resultam em perda de voos por parte de viajantes que não conseguem concluir o controle de passaportes a tempo de embarcar.
Comparação com outras nações europeias
A Grécia optou por adiar a introdução do sistema para o fim de setembro, citando razões semelhantes. França, Espanha e Itália estudam flexibilizações, como fases-piloto restritas a determinados aeroportos. A Ryanair enviou cartas idênticas aos 29 países participantes do EES pedindo alinhamento a essa postura, com o objetivo de minimizar impactos no verão.
No contexto português, o Ministério da Administração Interna informou, em nota, que “acompanha a implementação do EES” e que decisões sobre ajustes no calendário “serão tomadas com base em relatórios técnicos do SEF e da ANA Aeroportos”. Até o momento, não há confirmação oficial sobre mudança de data.
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Cronologia da implantação do EES em Portugal
- 2022: Comissão Europeia define requisitos técnicos e libera financiamentos para quiosques biométricos.
- 2023: Aeroportos de Lisboa, Porto e Faro instalam estações-piloto para coleta de dados.
- 2024: Treinamento inicial de agentes do SEF; primeiros testes integrados com bancos de dados da UE.
- 2025: Publicação do Regulamento (UE) 2025/1534, confirmando a data de 10 de abril de 2026 para entrada plena.
- 2026 (abril): Início da fase preoperacional, com coleta facultativa de dados biométricos.
- 2026 (maio): Ryanair formaliza pedido de suspensão até setembro.
Possíveis consequências para passageiros e setor aéreo
Se o EES entrar em vigor em plena temporada, companhias e aeroportos estimam:
- Filas de até 3 horas nos horários de pico, especialmente em voos originados fora do Espaço Schengen;
- Potencial perda de conexões em Lisboa, onde 26 % do fluxo de passageiros realiza escala;
- Aumento de custos operacionais com assistência a passageiros reacomodados.
Já o adiamento para setembro possibilitaria, de acordo com a Ryanair, concluir a capacitação de pessoal, estabilizar o software de reconhecimento facial e distribuir melhor a demanda de viagens.
Próximos passos do governo português
O Ministério da Administração Interna deve avaliar o pleito em conjunto com a Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC), a ANA Aeroportos e o SEF. Uma decisão precisa ser anunciada antes de 15 de junho, prazo considerado limite pelas companhias aéreas para ajustar malhas e procedimentos de check-in.
A Ryanair, que movimentou cerca de 8 milhões de passageiros em rotas de e para Portugal em 2025, diz manter diálogo aberto e aguarda resposta oficial “o mais rápido possível”.
Conclusão: A solicitação da Ryanair coloca pressão sobre Lisboa para equilibrar segurança de fronteira e fluidez operacional em um dos períodos mais rentáveis do turismo europeu. A definição sobre adiar ou manter o EES deverá ocorrer nas próximas semanas, e impactará diretamente viajantes, companhias aéreas e infraestrutura aeroportuária em todo o país.




