Quatro pessoas ficaram feridas após o colapso de uma sacada no fim da manhã de 10 de maio, durante um almoço de Dia das Mães em uma residência no bairro Velha, em Blumenau, Vale do Itajaí; equipes do Corpo de Bombeiros Militar, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Defesa Civil e Polícia Militar isolaram o imóvel e retiraram moradores por risco de novo desabamento.
Circunstâncias do acidente e dinâmica do colapso
De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, o incidente ocorreu por volta das 11h45, quando sete pessoas confraternizavam na área de festas situada no pavimento superior do imóvel. Testemunhas relataram vibrações incomuns na estrutura segundos antes do desabamento. A sacada, construída em alvenaria com laje de concreto armado, não suportou a carga concentrada e cedeu subitamente, despencando sobre duas quitinetes localizadas no piso térreo.
Os bombeiros encontraram fissuras horizontais e verticais nas paredes inferiores, indicativas de sobrecarga progressiva. Também foram observados sinais de carbonatação no concreto, processo químico que fragiliza armaduras metálicas e pode reduzir a capacidade de sustentação da laje.
Testes de percussão realizados no local sugeriram desprendimento de revestimento e possível corrosão das barras de aço. A suspeita preliminar é de que o somatório de peso humano, mobiliário e utensílios de cozinha ultrapassou o limite estrutural projetado, agravado por manutenção preventiva inexistente.
Perfil das vítimas e encaminhamento hospitalar
Entre os feridos, uma mulher de 72 anos apresentava traumatismo cranioencefálico leve, laceração facial e suspeita de fratura no fêmur direito. Ela recebeu imobilização pré-hospitalar e foi transportada ao Hospital Santa Isabel em condição estável, porém desorientada.
O proprietário da residência, de 63 anos, sofreu corte contuso na região occipital e relatou dores lombares. Ele foi removido por ambulância do Samu para exames de imagem, visando descartar fraturas vertebrais.
Um homem de 46 anos, cunhado do proprietário, acusava algia intensa na coluna torácica e foi conduzido ao Hospital Santo Antônio. Já o quarto ferido, de 41 anos, teve entorse no pé esquerdo, recusou transporte hospitalar e assinou termo de responsabilidade depois de avaliação clínica no local.
Todas as vítimas estavam conscientes na chegada do socorro. A Polícia Militar registrou boletim de ocorrência para subsidiar laudo pericial e eventual responsabilização civil.
Isolamento do imóvel e procedimentos técnicos de segurança
Após o resgate, os bombeiros interditaram a edificação, posicionando escoras metálicas provisórias para evitar efeito dominó em elementos estruturais adjacentes. A Defesa Civil de Blumenau foi acionada e programou inspeção detalhada com engenheiro especialista em patologia das construções.
Imagem: Divulgação
Segundo protocolo municipal, imóveis com quadro de risco estrutural eminente devem permanecer desocupados até emissão de laudo conclusivo. O documento indicará se a sacada pode ser reconstruída ou se será necessária demolição parcial da fachada. A seguradora da residência foi notificada e acompanhará a perícia independentemente.
As autoridades reforçaram aos moradores vizinhos a importância de observar rachaduras, desníveis e sons de estalo, acionando imediatamente o telefone de emergência 193 em caso de anomalia. A recomendação engloba, ainda, contratação de profissional habilitado para vistoria preventiva em sacadas com mais de dez anos de uso sem manutenção documentada.
Normas técnicas e histórico de incidentes similares em Santa Catarina
Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), sacadas residenciais devem obedecer aos parâmetros da norma NBR 6118:2014, que trata de projetos de estruturas de concreto. Entre os requisitos estão dimensionamento para sobrecarga mínima de 2,0 kN/m² e utilização de concreto com resistência característica superior a 25 MPa em ambientes externos.
Relatório da Câmara de Inspeção de Edificações de SC indica que, de 2021 a 2023, foram registrados 37 casos de colapso parcial envolvendo lajes e sacadas no estado, 18% deles no Vale do Itajaí. As principais causas apontadas são alteração da destinação de uso sem reforço estrutural e infiltrações prolongadas que oxidam armaduras.
Blumenau já havia contabilizado ocorrência semelhante em 2016, quando a varanda de um prédio residencial desmoronou após instalação de churrasqueira de alvenaria fora do projeto original, resultando em dois feridos. O episódio levou à criação de campanha municipal intitulada “Sacada Segura”, que recomenda inspeção a cada cinco anos por engenheiro civil ou arquiteto.
Conclusão Técnica
O desabamento desta sacada em Blumenau reforça a necessidade de manutenção periódica e de respeito às cargas especificadas em projeto estrutural. Até a emissão do laudo da Defesa Civil, o imóvel permanecerá interditado e as vítimas continuarão em observação médica. Caso a análise confirme falha por sobrecarga ou degradação de materiais, o proprietário deverá providenciar reforço ou reconstrução conforme as normas vigentes, além de arcar com eventuais responsabilidades civis. Órgãos municipais pretendem intensificar fiscalizações preventivas em edificações de mesma tipologia no Vale do Itajaí, a fim de mitigar riscos de novos colapsos.




