O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o consórcio responsável finalize o Aeromóvel que conecta a Linha 13-Jade da CPTM aos terminais do Aeroporto Internacional de Guarulhos até 30 de setembro de 2026, ameaçando rescindir a concessão caso o cronograma volte a ser descumprido.
Contexto da decisão e histórico de atrasos
Em sessão plenária realizada em maio de 2026, o TCU aprovou acórdão que fixa prazo definitivo para a conclusão das obras do Aeromóvel, modal de transporte leve sobre trilhos projetado para complementar a infraestrutura de mobilidade do maior aeroporto do país. O processo analisa um atraso acumulado de dois anos em relação ao contrato original, que estabelecia a entrega plena do sistema em 2024. Segundo relatório técnico anexado ao processo, os sucessivos descumprimentos de metas físicas e financeiras motivaram a adoção de uma medida de ultimato. Caso a nova data seja ignorada, a Corte de Contas poderá aplicar sanções que incluem multa aos gestores, bloqueio de repasses federais associados ao empreendimento e até a caducidade da concessão.
A determinação ocorre em meio a críticas de usuários e de companhias aéreas, que enfrentam restrições operacionais desde a inauguração parcial do eixo de transporte em 2023. Atualmente, o serviço funciona apenas no trecho Terminal 1–Terminal 3, das 16h à 0h, intervalo considerado de baixa demanda, o que contraria a proposta de operação contínua apresentada durante a licitação.
Parâmetros técnicos e capacidade efetiva do sistema
O Aeromóvel de Guarulhos foi contratado para operar com 2 000 passageiros por hora, por sentido, empregando tecnologia pneumática de tração sobre via elevada de 2,7 km. A matriz de desempenho anexada ao contrato de concessão estipula velocidade comercial média de 50 km/h, headway de 6 min e disponibilidade mínima de 99 %. Entretanto, auditoria do TCU efetuada entre janeiro e março de 2026 aferiu que a capacidade efetiva não ultrapassa 900 passageiros por hora, por sentido, correspondendo a aproximadamente 15 % do patamar contratado. O laudo identificou ainda falhas de integração com o sistema de sinalização e pendências na instalação de painéis fotovoltaicos responsáveis pelo suprimento energético do modal.
De acordo com memorando enviado ao tribunal, o Consórcio AeroGRU – liderado pela Brasil Aero Systems S.A. e pela TS Infraestrutura – atribui os atrasos a dificuldades na cadeia de suprimentos pós-pandemia e à necessidade de adequações no projeto executivo para atender às normas atualizadas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O consórcio apresentou plano de ação que contempla incremento de equipes, reprogramação financeira de R$ 48 milhões e importação emergencial de componentes de via.
Impacto para passageiros e operações aeroportuárias
Enquanto não atinge a capacidade plena, o Aeromóvel opera em regime de teste assistido, limitando o transporte de usuários em horários de pico e obrigando parte dos passageiros a depender de ônibus internos para a circulação entre terminais. Estimativas da GRU Airport apontam que, em dias de maior movimento, até 25 mil pessoas deixam de utilizar o sistema férreo, pressionando vias internas e aumentando em média 18 min o tempo de conexão entre embarques domésticos e internacionais.
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Para as companhias aéreas, a indisponibilidade integral do Aeromóvel repercute em custos adicionais com traslado de tripulações e equipamentos de solo. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR) calcula que o custo operacional extra, somando fretamento de vans, tempo de ciclo maior e impacto no giro de aeronaves, chegue a R$ 1,2 milhão por mês. Em termos de experiência do passageiro, levantamento da plataforma AirHelp aponta queda de 7 pontos percentuais no índice de satisfação relacionado à mobilidade interna no aeroporto desde o adiamento das etapas finais do projeto.
Consequências contratuais e próximos passos
Com a publicação do acórdão, o TCU estabeleceu um calendário de marcos intermediários que prevê a conclusão da instalação dos sistemas de controle até dezembro de 2025, a entrega da estação de integração junto ao Terminal 2 em abril de 2026 e testes de comissionamento final a partir de julho de 2026. O tribunal determinou ainda que a concessionária protocole relatórios bimestrais de avanço físico-financeiro, sob pena de bloqueio imediato de repasses do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Paralelamente, o Ministério dos Portos e Aeroportos comunicou que monitorará in loco o cumprimento das etapas, destacando equipe técnica para acompanhar inspeções de qualidade de via, certificação de material rodante e testes de evacuação emergencial. A pasta confirmou que a caducidade da concessão — instrumento extremo que transfere a responsabilidade do projeto à União — será recomendada caso o prazo final de 30 de setembro de 2026 seja descumprido.
Conclusão técnica: a deliberação do TCU estabelece um horizonte definitivo para a conclusão do Aeromóvel de Guarulhos, vinculando o avanço físico do empreendimento a penalidades severas que incluem a perda da concessão. A adoção de metas intermediárias, relatórios frequentes de progresso e acompanhamento ministerial deverá viabilizar o monitoramento contínuo da obra até a data-limite estipulada. Mantidos os prazos, a expectativa é que o sistema alcance a capacidade contratada de 2 000 passageiros por hora por sentido a partir do último trimestre de 2026, normalizando o fluxo interno do Aeroporto Internacional de Guarulhos e reduzindo custos logísticos associados às atuais soluções paliativas.




