Hospital afasta técnica de radiologia que acusa Magno Malta de agressão durante exame

O Hospital DF Star afastou a técnica de radiologia que relatou ter recebido um tapa do senador Magno Malta durante um exame de angiotomografia realizado em 30 de maio, em Brasília; o parlamentar nega a agressão e sustenta que houve falha no procedimento de contraste.

Relato do incidente e registro policial

De acordo com o boletim de ocorrência registrado na 5ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal, a profissional acompanhava um exame de angiotomografia de tórax e coronárias quando ocorreu extravasamento de contraste no braço do paciente, identificado como o senador Magno Malta (PL-ES). A técnica afirma que, após sentir dor, o parlamentar levantou-se do equipamento, proferiu ofensas como “imunda” e “incompetente” e desferiu um tapa que entortou seus óculos. O documento policial menciona agressão física e injúria.

O exame foi solicitado depois de o senador ter passado mal durante sessão no Senado Federal e apresentar quadro de dor torácica. O procedimento ocorreu na tarde de quinta-feira, 30 de maio, em sala monitorada, mas sem registro de imagens do momento do suposto tapa.

Posicionamento do hospital e afastamento da profissional

Em nota, o Hospital DF Star confirmou o afastamento da colaboradora “por recomendação de seu médico particular”, sem detalhar o conteúdo do laudo. A instituição acrescentou que abriu apuração interna para avaliar “todos os protocolos assistenciais” adotados na sala de diagnóstico por imagem na referida data.

Fontes ligadas à administração da unidade indicam que a investigada permanecerá afastada até a conclusão da auditoria clínica e do inquérito policial. Não há prazo oficial para apresentação dos resultados. A técnica, que possui mais de dez anos de experiência em radiologia, segue amparada por entidades sindicais de enfermagem, que classificam o episódio como “violência no ambiente de trabalho”.

Defesa do senador e repercussão política

Em vídeo divulgado nas redes sociais na noite de 30 de maio, Magno Malta declarou nunca ter agredido “filhas, mulher ou qualquer pessoa” e qualificou a denúncia como “falsa comunicação de crime”. O senador relatou sentir dor intensa no momento do extravasamento e confirmou ter solicitado intervenção de outros profissionais, acrescentando que a direção do hospital teria pedido desculpas pelo incidente técnico.

Na tribuna do Senado, em 5 de junho, Malta reforçou a negativa: “Não existe fotografia, não existe filmagem. Se aparecer uma imagem minha fazendo isso, eu renuncio ao mandato”. O pronunciamento provocou manifestações de apoio de aliados e pedidos de rigor na apuração por parte de oposicionistas.

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Imagem: magnomalta

Especialistas em direito penal lembram que, se confirmada a agressão, o delito pode ser enquadrado no artigo 129 do Código Penal, com pena que varia de três meses a um ano, aumentada se constatado motivo torpe ou utilização de posição hierárquica para intimidar a vítima.

Mobilização sindical e protocolos de segurança

O Setorial de Mulheres do SindEnfermeiro-DF informou que disponibilizou assessoria jurídica e psicológica à profissional. Em nota pública, o sindicato reforçou que “agressões físicas e verbais contra trabalhadores da saúde constituem grave violação de direitos humanos e do trabalho”, exigindo “garantias de integridade e condições dignas” para a categoria.

Entidades médicas e de radiologia alertam para o crescimento dos episódios de violência em unidades de saúde. Dados do Observatório Nacional de Segurança do Paciente mostram aumento de 18 % nas ocorrências registradas em 2023 em comparação a 2022. Diretores de hospitais privados defendem aprimoramento de câmeras em setores sensíveis, protocolos de contenção de conflitos e treinamento em comunicação de crise.

Conclusão Técnica

O afastamento da técnica de radiologia abre dois eixos de investigação simultâneos: a apuração interna do Hospital DF Star, que irá avaliar se houve falha no procedimento de contraste, e o inquérito da Polícia Civil do Distrito Federal, que examina a suposta agressão atribuída ao senador Magno Malta. Até o momento não foram apresentados registros visuais que corroborem ou refutem o depoimento da profissional. A conclusão dos laudos periciais, somada aos depoimentos de testemunhas presentes na sala de exame, será determinante para eventuais responsabilizações penais, cíveis ou administrativas. Enquanto isso, sindicatos de saúde mantêm apoio à colaboradora e parlamentares acompanham o caso em comissões de ética do Senado.