Zurich Airport Brasil acelera frota elétrica e projeta cortar 15 toneladas de CO₂ por ano em três aeroportos

Zurich Airport Brasil iniciou em maio de 2026 a operação de cinco viaturas elétricas nos aeroportos de Florianópolis, Vitória e Macaé, medida que pode eliminar aproximadamente 15 mil quilogramas de emissões de CO₂ por ano e consolidar a concessionária na rota de descarbonização do setor aeroportuário nacional.

Frota elétrica entra em serviço operacional imediato

A introdução dos veículos ocorreu de forma sincronizada nos três terminais administrados pela companhia. Os modelos escolhidos — RD6, da fabricante Riddara — apresentam tração 4×4 e autonomia de até 400 quilômetros, características consideradas cruciais para deslocamentos constantes em áreas de pista, pátio e apoio terrestre. Segundo a concessionária, as viaturas foram designadas para tarefas de inspeção de cabeceiras, checagem de condições de pavimento e suporte às equipes de manutenção que atuam ininterruptamente.

Dados internos indicam que a substituição de unidades a combustão por elétricas reduzirá não apenas emissões diretas de CO₂, mas também custos relacionados a manutenção, pois motores elétricos apresentam menor desgaste mecânico e menor consumo de insumos lubrificantes. A companhia não divulgou o valor do investimento, porém reforçou que ele integra o orçamento anual destinado a eficiência energética e modernização de frota.

Metas ambientais até 2040 e métricas de desempenho

No plano corporativo de sustentabilidade, reduzir emissões líquidas de carbono a zero até 2040 é a meta-guia. Para dimensionar o avanço, a Zurich Airport Brasil utiliza inventários de gases de efeito estufa compatíveis com o Greenhouse Gas Protocol. A expectativa é de que a nova frota contribua com a eliminação de cerca de 41 kg de CO₂ por dia, considerando a média combinada de rodagem nos três aeroportos.

Além da mobilidade elétrica, a concessionária opera com 100 % de energia proveniente de fontes renováveis contratadas no mercado livre e mantém usinas fotovoltaicas próprias em fase de ampliação. Esses sistemas já suprem parte do consumo dos terminais de Vitória e Florianópolis, reduzindo a dependência da rede convencional nas horas de ponta.

Gestão de resíduos e recursos hídricos complementa agenda ESG

A companhia implantou, em 2025, a política conhecida como Zero Aterro, que direciona a totalidade dos resíduos gerados para reciclagem, compostagem ou coprocessamento em cimenteiras. Relatórios internos indicam que a taxa de desvio de aterro supera 98 % desde o segundo semestre de 2025, resultado considerado consistente pelas auditorias ambientais externas que acompanham o programa.

No eixo hídrico, os três terminais contam com sistemas de captação de água de chuva integrados a reservatórios subterrâneos. O volume médio armazenado chega a 5 milhões de litros/ano, utilizado em torres de resfriamento e irrigação de áreas verdes. Paralelamente, estações de tratamento de efluentes garantem que todo o esgoto operacional retorne ao meio ambiente em conformidade com os padrões da legislação brasileira, reduzindo a pressão sobre redes públicas.

Setor aéreo revisa paradigmas de eficiência energética

O cenário global pressiona operadores aeroportuários a assumirem compromissos quantificáveis de sustentabilidade. A Airports Council International (ACI) recomenda que aeroportos emita­m relatórios anuais de carbono e alcancem a certificação Airport Carbon Accreditation. Iniciativas como a da Zurich Airport Brasil estão alinhadas a esse movimento, que inclui investimentos em iluminação LED, sistemas de gestão predial avançados e eletrificação de equipamentos de apoio em solo, como “pushbacks” e grupos geradores auxiliares.

Governos estaduais também ampliam exigências. Em Santa Catarina, por exemplo, o Programa de Descarbonização de Infraestruturas prevê incentivos fiscais para empresas que comprovem redução anual de pelo menos 5 % nas emissões operacionais. A entrada de veículos elétricos pela Zurich Airport Brasil posiciona a concessionária para acessar esses benefícios e reduzir custos de longo prazo.

Conclusão técnica

A adoção inicial de cinco viaturas elétricas insere Zurich Airport Brasil em trajetória mensurável de mitigação de carbono, agregando eficiência operacional sem comprometer requisitos de desempenho em pista. Com metas formais de neutralidade climática para 2040, a companhia deverá ampliar o número de veículos eletrificados, expandir a geração solar e avançar em soluções de armazenamento de energia. A consolidação dessas frentes dependerá da evolução tecnológica das baterias, da estabilidade regulatória no mercado de energia renovável e da manutenção do acesso a financiamentos verdes, fatores que serão monitorados em relatórios corporativos anuais.