O Citi aumentou o preço-alvo das ações preferenciais da Braskem (BRKM5) de R$ 10 para R$ 14 nesta terça-feira, 26 de maio de 2026, após incorporar dados do primeiro trimestre ao seu modelo, mas manteve recomendação neutra e a classificação de alto risco devido ao endividamento elevado e à possibilidade de recuperação judicial.
Ajuste nas estimativas eleva Ebitda projetado para 2026
De acordo com o relatório, o banco revisou variáveis operacionais e macroeconômicas que impactam o desempenho da petroquímica. O principal gatilho para a revisão foi a expectativa de um Ebitda ajustado de R$ 4,3 bilhões no segundo trimestre de 2026, refletindo a valorização recente dos spreads petroquímicos — diferença entre o preço dos produtos finais e o custo das matérias-primas.
No cenário anual, o Citi trabalha agora com Ebitda próximo de US$ 2 bilhões para 2026, acima da projeção anterior. A estimativa contempla margem de 17,7 %, sustentada por maior utilização de plantas e preços internacionais de resinas em patamares superiores aos do início do ano.
A revisão também incorporou câmbio médio mais depreciado, ligeira recuperação da demanda global por plásticos e ajuste no preço do petróleo tipo Brent. Esses fatores ampliaram o fluxo de caixa livre esperado, embora o banco siga estimando geração apenas “levemente positiva”.
Estrutura de capital pressionada por US$ 1 bilhão em dívidas de curto prazo
Apesar da melhora operacional, a equipe de análise destaca a fragilidade financeira da companhia. Um desembolso de US$ 1 bilhão referente a uma linha stand-by vence no quarto trimestre de 2026. O montante, combinado a outros compromissos, pressiona o perfil de liquidez e mantém a alavancagem em níveis considerados críticos.
Segundo os cálculos do Citi, a razão dívida líquida/Ebitda permanecerá acima de 4,5 vezes até o fim de 2026, mesmo no cenário otimista de geração de caixa. Para conter o estresse financeiro, os analistas apontam três caminhos potenciais:
- Renegociação de passivos com alongamento de prazos e eventuais carências;
- Venda de ativos não-essenciais para reforço de capital de giro;
- Entrada de novo investidor estratégico, ofertando recursos frescos mediante diluição acionária.
Na ausência de medidas estruturais, o banco considera que o risco de pedido de recuperação judicial permanece “no radar”. A possibilidade é reforçada pelo histórico de liquidez apertada da controladora Novonor, ainda envolvida em processos de reestruturação.
Imagem: Internet
Volatilidade global afeta as ações e alimenta cautela dos investidores
O setor petroquímico vive um ambiente de preços oscilantes desde março, quando tensões no Oriente Médio elevaram custos de insumos e comprimiram margens mundo afora. Após um rali de 32 % em uma semana, os papéis da Braskem recuaram 5,81 % no pregão de hoje, encerrando a R$ 11,68, com mínima intradiária de R$ 11,33.
O mercado reagiu não apenas às projeções do Citi, mas também à queda do petróleo na véspera, motivada por rumores de acordo entre Estados Unidos e Irã. A correlação entre o barril e os spreads petroquímicos aumenta a sensibilidade do preço da ação a eventos geopolíticos.
Para os próximos trimestres, o banco identifica dois vetores capazes de impulsionar resultados: a possível “segunda onda” de valorização dos spreads caso o conflito no Oriente Médio volte a se intensificar e uma reestruturação de dívidas que reduza o serviço financeiro já em 2027. A combinação poderia elevar o preço-alvo além dos atuais R$ 14, mas ambos os cenários dependem de variáveis externas pouco previsíveis.
Conclusão técnica
O Citi ajustou suas métricas para refletir ganhos operacionais de curto prazo na Braskem, mas manteve o status de alto risco. A empresa entra no segundo semestre de 2026 com maior geração de caixa, porém ainda sujeita a elevado endividamento de curto prazo. A manutenção da recomendação neutra indica equilíbrio entre o potencial de alta dos papéis e a probabilidade de eventos de crédito adversos.
Em termos objetivos, a trajetória da ação dependerá de três fatores mensuráveis: evolução dos spreads petroquímicos, negociação de passivos financeiros e demanda global por plásticos nos próximos ciclos trimestrais. Qualquer avanço concreto nessas frentes tende a funcionar como gatilho para revisão de risco, enquanto a ausência de progressos pode reacender temores de insolvência.




