A sinalização da Casa Branca de que o presidente Donald Trump deve suspender tarifas adicionais sobre a carne bovina importada fez as ações da Minerva Foods (BEEF3) dispararem 4,63 % e liderarem o Ibovespa em 11 de maio, contrariando a queda de 1,19 % do índice.
Reação imediata do mercado financeiro
Os papéis da Minerva Foods encerraram o pregão a R$ 4,29, alta de 4,63 %, enquanto o Ibovespa recuou para 181.908,87 pontos. A valorização reflete a perspectiva de redução de custos para exportadores brasileiros caso se confirmem as ordens executivas citadas por uma autoridade da Casa Branca à Bloomberg.
O volume negociado de BEEF3 foi sensivelmente superior à média dos últimos 30 dias, indicando entrada de fluxo estrangeiro em busca de exposição ao setor de proteínas animais. Analistas de mesas de renda variável reportaram aumento de demanda por frigoríficos listados também na B3, movimento que alcançou JBS e Marfrig, embora em proporção menor.
Medidas propostas pelo governo norte-americano
De acordo com o Wall Street Journal, o plano inclui:
- Suspensão temporária das tarifas aplicadas a volumes acima da cota anual de importação de carne bovina;
- Incentivos financeiros para restruturação do rebanho doméstico;
- Programa de subsídios direcionado a pequenos produtores rurais, com o objetivo de mitigar pressões inflacionárias.
A Casa Branca age para conter a escalada de preços no varejo. O índice de preços para gastos pessoais (PCE) avançou 4,5 % no primeiro trimestre de 2026, ante 2,9 % no trimestre anterior. O núcleo do PCE, livre de energia e alimentos, acelerou para 4,3 %.
Os Estados Unidos vivem o menor rebanho bovino em 75 anos, fator que sustenta a pressão sobre processadores locais. Abrir espaço para maior entrada de carne importada representa, para Washington, uma alternativa de curto prazo diante da defasagem entre oferta interna e demanda.
Participação dos EUA na receita da Minerva Foods
No quarto trimestre de 2025, as vendas direcionadas ao mercado norte-americano representaram 21 % da receita bruta de exportação da Minerva. A empresa mantém plantas habilitadas a exportar para mais de 100 países, com presença relevante no Paraguai, Uruguai, Colômbia e Argentina.
A eventual remoção ou redução de tarifas ampliará a competitividade da carne brasileira em solo norte-americano. Hoje, o custo logístico já se mostra atrativo em comparação ao de concorrentes da Oceania; com tarifa menor, o spread de preço tende a se alargar.
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Além disso, contratos futuros de boi gordo negociados na B3 refletem expectativa de aumento de demanda. Na sessão citada, o vencimento para julho avançou 0,8 %, reforçando a leitura de que frigoríficos podem repassar margens maiores.
Cenário para o setor de proteína animal no Brasil
O relaxamento tarifário ocorre em meio a projeções de oferta robusta no Brasil. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país deve abater 33,2 milhões de cabeças em 2026, crescimento estimado de 3,4 % anual.
Para empresas como Minerva, JBS e Marfrig, o ambiente externo favorável soma-se ao câmbio ainda depreciado — o dólar permanece acima de R$ 5,00 —, condição que eleva a receita em reais por tonelada exportada. Analistas de mercado projetam que, mantido o atual ritmo de valorização do boi nos EUA, a margem EBITDA consolidada dos frigoríficos brasileiros pode avançar entre 0,5 e 1,2 ponto percentual no segundo semestre.
No curto prazo, a cadeia de suprimentos deve ajustar cronogramas de embarque para atender eventuais licenciamentos acelerados no porto de Houston e no porto de Filadélfia, principais portas de entrada da carne brasileira.
Conclusão técnica
As declarações da Casa Branca funcionaram como catalisador imediato para as ações da Minerva, evidenciando a sensibilidade do setor de proteínas a decisões de política comercial dos EUA. Caso as ordens executivas sejam assinadas e vigorem ainda em maio, a companhia tende a ampliar participação em um mercado que já responde por mais de um quinto das suas exportações. O acompanhamento dos trâmites regulatórios em Washington e das repercussões no Congresso norte-americano será determinante para avaliar a sustentabilidade do rali observado na B3.




