Atlas da Violência 2026 revela queda histórica de homicídios e ranqueia as cidades mais e menos violentas do Brasil

O Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), registra a menor taxa nacional de homicídios desde 2014 — 20,1 mortes por 100 mil habitantes em 2024 — e apresenta o ranking atualizado dos municípios mais e menos violentos do país, assinalando forte concentração dos extremos nas regiões Nordeste, Sul e Sudeste.

Panorama nacional da violência letal

O estudo consolida informações dos sistemas oficiais de saúde e segurança pública para medir a evolução da violência letal no Brasil. Entre 2014 e 2024, a taxa nacional de homicídios recuou de 29,9 para 20,1 por 100 mil habitantes, queda de 32,8 %. O recorte por Unidades Federativas (UFs) mostra disparidades marcantes: São Paulo (8,0), Santa Catarina (8,4) e Distrito Federal (10,9) exibem os menores indicadores, enquanto Amapá (45,6), Bahia (45,4), Pernambuco (44,1) e Ceará (42,2) concentram os maiores.

Especialistas do Ipea relacionam o declínio a políticas de segurança direcionadas, expansão de sistemas de monitoramento e fortalecimento de ações de prevenção em alguns estados. Entretanto, o órgão ressalta que a distribuição desigual dos resultados reforça a necessidade de estratégias regionais específicas.

Municípios com maiores índices de homicídio

O Atlas lista as 20 cidades mais violentas entre aquelas com população acima de 100 mil habitantes. Dezessete dos 20 municípios classificados estão no Nordeste, sinalizando um eixo crítico na macrorregião. A liderança é de Maranguape (CE), com 87,2 homicídios por 100 mil habitantes, seguida por Jequié (BA) — 79,4 e Maracanaú (CE) — 74,1. O grupo das dez primeiras posições é completado por Itapipoca (CE), Caucaia (CE), Juazeiro (BA), Feira de Santana (BA), Porto Seguro (BA), Simões Filho (BA) e Camaçari (BA).

O levantamento associa a alta letalidade a fatores como presença de facções interestaduais, rotas de tráfico e deficiências estruturais em serviços públicos. Além disso, muitos desses municípios integram áreas metropolitanas, onde a disputa por território costuma elevar a incidência de crimes violentos.

Cidades com menor incidência de homicídios

No extremo oposto, as 20 cidades menos violentas concentram-se integralmente nas regiões Sul e Sudeste. Jaraguá do Sul (SC) lidera com 2,0 homicídios por 100 mil habitantes, seguida por Brusque (SC) — 2,6, Santa Bárbara d’Oeste (SP) — 3,2, Lavras (MG) — 3,6 e Bragança Paulista (SP) — 3,8. Outros destaques incluem Itatiba, Birigui, Ituiutaba, Atibaia e Votuporanga.

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Imagem: Agência Brasil

Segundo o Ipea, a baixa mortalidade dessas localidades reflete combinação de índices socioeconômicos mais altos, rede de serviços públicos robusta e policiamento comunitário consolidado. A rigidez de políticas municipais de controle de armas e programas de juventude são citados como elementos adicionais de mitigação da violência.

Desempenho das capitais brasileiras

Entre as capitais, a taxa média ficou em 26,6 homicídios por 100 mil habitantes, superando o índice nacional. Salvador (52,7), Maceió (45,9), Macapá (45,6), Recife (45,5) e Fortaleza (42,2) apresentaram os cenários mais críticos. No outro extremo, Florianópolis (9,7), Distrito Federal (10,9), Curitiba (13,2), Goiânia (14,7) e São Paulo (15,3) destacaram-se pelo desempenho favorável.

O relatório observa que, embora algumas capitais tenham reduzido gradualmente os homicídios, capitais do Nordeste e da Amazônia Legal requerem reforço de políticas de integração federativa para frear o avanço de facções e o fluxo de armas.

Conclusão técnica

O Atlas da Violência 2026 confirma uma trajetória descendente dos homicídios no Brasil, mas evidencia disparidades regionais persistentes. O cenário sugere que intervenções diferenciadas por território, associadas a políticas de inteligência e inclusão social, serão determinantes para consolidar a tendência de queda. Nos próximos ciclos, o Ipea indica que o monitoramento em tempo real dos indicadores e a ampliação de cooperações interestaduais devem nortear as ações de segurança pública e prevenção em setores críticos identificados pelo estudo.