Ações ordinárias e preferenciais da Petrobras encerraram a semana de 4 a 8 de maio com perdas de até 8,44%, reflexo direto da retração de 6,36% no Brent em Londres e do avanço diplomático entre Estados Unidos e Irã, configurando o pior desempenho semanal da companhia em mais de dois anos.
Brent recua, tensão no Oriente Médio diminui e pressão atinge papéis da estatal
Os contratos futuros de Brent para julho caíram de US$ 108,12 para US$ 101,29 o barril entre segunda-feira e sexta-feira (8), movimento que repercutiu nos ativos da Petrobras. A menor percepção de risco geopolítico, após sinais de reaproximação diplomática entre Washington e Teerã, reduziu o prêmio de guerra embutido nos preços do petróleo.
No mesmo intervalo, PETR3 registrou baixa de 8,44%, cotada a R$ 50,11 no fechamento, enquanto PETR4 recuou 6,95%, encerrando a R$ 45,67. Trata-se do pior resultado semanal desde 4 a 8 de março de 2024, quando o mercado reagiu ao corte de dividendos extraordinários anunciado na divulgação do balanço de 2023.
Da máxima histórica ao ajuste: variação de mercado e fundamentos operacionais
Desde o início do conflito entre Irã e Israel em 28 de fevereiro, as ações da Petrobras surfaram na elevação do barril e quebraram 12 recordes de valor de mercado. O auge ocorreu em 14 de abril, quando a petroleira foi precificada em R$ 680,1 bilhões. Após a correção desta semana, a capitalização caiu para R$ 621,7 bilhões, eliminação de R$ 58,4 bilhões em menos de 30 dias.
Apesar do recuo, o banco BTG Pactual manteve a recomendação de compra para PETR4, projetando preço-alvo de R$ 62 até dezembro de 2026. O relatório assinado por Bruno Henriques, Gustavo Cunha e Rodrigo Almeida reforça que a companhia possui perfil de produção integrado e robusto entre os emergentes, atribuindo-lhe caráter de “ativo de valor de escassez”.
Para o primeiro trimestre de 2026, o BTG calcula Ebitda em torno de US$ 13 bilhões e dividendos de aproximadamente US$ 2,1 bilhões, equivalentes a dividend yield de 1,5% apenas no período. O balanço será divulgado em 11 de maio, após o pregão, com teleconferência marcada para o dia 12, às 11h30.
Imagem: Internet
Comparativo histórico: choques de petróleo e comportamento das ações
O desempenho negativo da semana repete padrões observados em outras três ocasiões na última década em que o petróleo recuou mais de 5% em cinco sessões:
- Março de 2020 – início da pandemia: PETR4 caiu 14,2% em paralelo a um tombo de 24,1% no Brent.
- Dezembro de 2018 – receio de desaceleração global: retração de 9,7% em PETR4 e de 11,5% no Brent.
- Agosto de 2015 – crise chinesa: desvalorização de 8,0% nos papéis preferenciais, frente a perda de 7,9% no barril.
Nos três episódios, as cotações da estatal recuperaram parte das perdas em até 60 dias, mas a intensidade da retomada variou conforme a profundidade do corte de capex, a política de preços de combustíveis e as condições fiscais do governo federal.
Agenda corporativa crítica e variáveis monitoradas pelo mercado
Além da publicação do balanço do 1T26, o mercado acompanha:
- Eventuais ajustes na diretoria executiva após a recente troca de nomes no conselho.
- A evolução da paridade internacional de preços de diesel e gasolina, fator sensível para margens de refino.
- O ritmo de avanço dos projetos no Pré-Sal, especialmente os FPSOs de Búzios 6 e Sépia 2.
- Discussões no Congresso sobre distribuição de royalties e possíveis alterações no regime de partilha.
Conclusão Técnica
A queda de quase 7% em PETR4 e de mais de 8% em PETR3 reflete uma combinação de enfraquecimento do prêmio geopolítico no Brent e realizações de lucro após máximas históricas. A correção devolve parte da valorização acumulada desde fevereiro, mas preserva a companhia entre as maiores capitalizações da B3. Com Ebitda estimado em US$ 13 bilhões e divulgação de resultados na próxima semana, todos os vetores — variação do Brent, decisões sobre dividendos e política de preços — permanecem no radar para definir o próximo movimento dos papéis. Até a publicação do balanço, volatilidade elevada deve continuar a marcar as negociações, enquanto analistas ajustam projeções de fluxo de caixa e retorno ao acionista.




